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EUA proíbem cabeçadas no futebol para crianças com até 10 anos

Medida previne o risco de concussões cerebrais, tema bastante debatido no país por causa do futebol americano

A Federação Americana de Futebol (US Soccer) decidiu proibir crianças de menos de dez anos de cabecear bolas durante treinamentos e partidas. Para as crianças entre onze a treze anos, o número de cabeçadas será limitado. Essas medidas, reveladas pela federação no início da semana e que serão aperfeiçoadas nos próximos meses, são consequência de uma queixa feita na Justiça californiana sobre os perigos de uma possível concussão cerebral em jovens atletas.

Um grupo de pais mostrou preocupação com o fato de clubes e federações não terem nenhuma política de sensibilização e prevenção em relação ao problema das concussões, amplamente discutidos em modalidades como futebol americano e boxe. “Estamos felizes por termos conseguido ter um papel no aperfeiçoamento da segurança de todas as crianças que jogam futebol neste país”, explicou Steve Berman, advogado dos pais, que não pedem indenização ou compensação.

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A US Soccer se comprometeu a colocar em prática um programa de sensibilização para técnicos e dirigentes das equipes. Segundo a federação, o risco de lesão não acontece apenas pelo contato da cabeça com a bola, mas pela chance de dois atletas se chocarem durante uma disputa pelo alto. Um estudo publicado pelo jornal Jama Pediatrics revelou que 8,2% dos casos de concussão no futebol entre garotas acontece em decorrência de cabeçadas diretas na bola. No caso dos meninos, este número cai para 4,7%. O futebol é um dos esportes com maior risco de lesões cerebrais, mas a maior parte dos casos envolve choques de cabeça ou quedas no gramado.

O tema das concussões cerebrais é muito debatido nos Estados Unidos por causa do futebol americano. No ano passado, mais de 18.000 ex-jogadores profissionais moveram uma ação coletiva contra a NFL, a liga de futebol americano, para cobrar indenizações pelos danos que sofreram durante a carreira. Estudos comprovam que as concussões causadas por choques na cabeça podem levar a casos de depressão e até demência. A NFL foi acusada de esconder os riscos, forçando o retorno dos jogadores mesmo depois de batidas violentas na cabeça e foi obrigada a pagar uma indenização de 675 milhões de dólares aos ex-atletas.

(da redação)

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