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Emerson Fittipaldi: ‘Só Jesus foi perfeito’

Às lágrimas, amparado na religião, o ex-piloto de automobilismo não nega as dificuldades, diz que deve muito dinheiro mas garante que é um homem íntegro e pretende quitar suas dívidas dentro de seis meses — "se o Brasil voltar a funcionar"

Por Juliana Linhares - 8 abr 2016, 19h05

A vida esportiva e empresarial de Emerson Fittipaldi, cujo nome faz parte do imaginário coletivo das corridas de carro, e não somente no Brasil, foi construída de sucessivas camadas, com algumas aceleradas espetaculares e, na contramão, estrondosos movimentos de marcha à ré. Emerson virou lenda, com apenas 28 anos, ao conquistar o bicampeonato mundial de Fórmula 1 (1972-1974). Retomou a fama global com a vitória nas 500 Milhas de Indianápolis, nos Estados Unidos, em 1989 (repetiria a proeza em 1993). Sua foto sentado na lataria de um Penske cercado de 1 milhão de dólares em espécie virou símbolo da retomada e do gosto sincero dos americanos por boas recompensas. Entre uma vitória e outra, Emerson fez inúmeras apostas como empreendedor, ao lado de mecânicos e na agricultura, com laranjais no interior de São Paulo. Seu mais conhecido tombo foi o prejuízo de 7 milhões de dólares com a escuderia Copersucar, em associação com o irmão Wilsinho, que era um sonho grande e acabou em 1982. Na semana passada, descobriu-se que Emerson, de 69 anos, teve penhorado alguns de seus bens – inclusive o heroico Penske de 1989 – destinado a cobrir dívidas que chegam a 27 milhões de reais. Para revelar o drama, as dores e inseguranças dessa curva inesperada em sua vida, mas também para defender-se das acusações de descuido com o dinheiro, Emerson recebeu VEJA com exclusividade, todo de azul, cor pela qual é apaixonado, “como o amigo Roberto Carlos”, com as lendárias costeletas, mantidas pela força da indústria cosmética no mesmo tom de 40 anos atrás, e um espetacular anel de ouro, com uma bandeira quadriculada preta-e-branca, que ganhou em Indianápolis.

O senhor está quebrado? Não, absolutamente. Meu patrimônio é muito superior à minha dívida. Esse show que fizeram comigo é vexatório. Recebi ligações da Alemanha, dos Estados Unidos, da Inglaterra e teve uma até uma reportagem sobre esse assunto no Japão. Minha imagem, em nível global, foi afetada.

Mas o senhor acumula dívidas da ordem dos 30 milhões de reais no Brasil, deve para os maiores bancos nacionais, para a União e para prefeituras, está com contas bloqueadas pela justiça e tem ao menos 100 processos envolvendo seu nome só em São Paulo. Como explica esse desastre? Eu passei por dificuldades financeiras, pedi empréstimos em bancos, cujos juros são muitos altos, e investi em negócios que não deram o retorno que eu esperava.

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