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Corintiano que assumiu culpa por morte na Bolívia foi detido após briga em clássico

Segundo informações da 'Folha', Helder Alves Martins, agora com 20 anos, participou do ataque contra palmeirenses perto do Pacaembu

O torcedor do Corinthians que assumiu a autoria do disparo de sinalizador que matou o garoto boliviano Kevin Espada, em Oruro, em 2013, foi detido por envolvimento em uma das confusões ligadas ao clássico do último domingo, diante do Palmeiras. Segundo informações do jornal Folha de S. Paulo desta quarta-feira, Helder Alves Martins, agora com 20 anos, participou do ataque contra palmeirenses na avenida Dr. Arnaldo, próximo ao estádio do Pacaembu, onde ocorreu a partida, vencida pelo Palmeiras por 1 a 0.

Helder se tornou conhecido ao assumir a culpa pela morte de Kevin Espada, durante o jogo de estreia do Corinthians na Libertadores de 2013, contra o San Jose, no estádio Jesús Bermúdez. Então com 17 anos, o integrante da torcida Gaviões da Fiel disse ter comprado o sinalizador na rua 25 de março e ele próprio ter atirado, acidentalmente, o artefato que acertou a cabeça de Espada.

Na época, Helder conseguiu voltar ao Brasil de ônibus, ao contrário de 12 outros corintianos suspeitos de terem praticado o disparo, que passaram 156 dias na prisão em Oruro. O caso acabou arquivado e, apesar de ter assumido a culpa, Helder Alves Martins não recebeu qualquer punição. Pelo contrário: ganhou um cargo no Departamento de Bandeiras na sede da torcida organizada, no bairro Bom Retiro, em São Paulo.

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O pai de Kevin, Limbert Espada, considera que tudo não passou de uma armação e, em entrevista recente ao site Globoesporte.com contou que não recebeu indenização, nem qualquer valor referente à renda de um amistoso entre Brasil e Bolívia, realizado em 6 de abril de 2013, justamente para arrecadar fundos para a família do garoto.

No último domingo, Helder esteve com outros integrantes da Gaviões da Fiel em uma das brigas contra palmeirenses. Segundo a Folha, eles voltavam do Pacaembu em um ônibus com instrumentos musicais, quando foram provocados por três torcedores do Palmeiras. Eles, então, desceram e agrediram os rivais. A Polícia Militar deteve 27 corintianos na ação.

Segundo informações da Rede Globo, estavam entre os agressores dois corintianos que ficaram presos em Oruro: Tadeu Macedo Andrade e Leandro Silva de Oliveira. Todos os envolvidos foram liberados após assinatura de um termo circunstanciado.

Gaviões da Fiel – Na segunda-feira, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo anunciou que todos os clássicos paulistas terão torcida única até o final de 2016, devido aos recentes casos de violência – fora dos estádios. A Gaviões da Fiel emitiu uma nota de repúdio contra a decisão, assim como as principais organizadas do Estado.

Nela, a principal torcida organizada do Corinthians nega “responsabilidade e autoria de brigas” e ressalta que a violência é um mal que atinge todas as esferas da sociedade. “Não sejamos hipócritas! A violência entre as torcidas é somente mais um reflexo da violência diária que assistimos permanentemente”, diz um dos trechos.

A Gaviões relaciona as últimas punições com os recorrentes protestos realizados nas arquibancadas em 2016. “Além disso, causa estranheza o fato de tal cruzada repentina pelo fim das organizadas vir “coincidentemente” após meses de intermináveis protestos por parte dos Gaviões da Fiel contra alicerces conservadores da sociedade, não habituados com a contestação – como FPF, CBF, Rede Globo, dirigentes do Corinthians e o Deputado Fernando Capez, ex-promotor e um dos investigados no esquema das Merendas.”

A torcida se colocou à disposição do Poder Público e órgãos interessados para “discutir medidas que realmente podem ter resultados”. Mas não fez qualquer menção sobre punição aos associados que causaram transtornos em Oruro, em São Paulo e em diversas cidades brasileiras.

(da redação)

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