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CBF considera mudar voto na eleição da Fifa para ficar do ‘lado vencedor’

Entidade afirmou que votaria em Gianni Infantino, mas agora cogita apoiar o xeque Salman Bin Ibrahim Al-Khalifa, para não perder ainda mais prestígio

A Conmebol anunciou no fim de janeiro que seus dez integrantes, incluindo a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), votariam no suíço Gianni Infantino para o cargo de presidente da Fifa nesta sexta-feira. No entanto, faltando dois dias para a eleição em Zurique, membros do alto escalão da CBF cogitam mudar de lado. O motivo: garantir que o Brasil esteja “do lado do vencedor”.

Nos últimos dias, os dirigentes brasileiros passaram a ser assediados de forma constante pelo xeque Salman Bin Ibrahim Al-Khalifa, do Bahrein, presidente da Confederação Asiática de Futebol e considerado o principal adversário de Infantino. Seus assessores, na esperança de convencer a CBF a mudar de lado, insistem que já contam com 100 dos 209 votos possíveis, contra cerca de 80 do candidato europeu.

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Em entrevistas, Salman ainda alertou que a Fifa corre o risco de “falir” e previu um déficit de 560 milhões de dólares (aproximadamente 2,22 bilhão de reais) até a Copa do Mundo de 2018. Segundo ele, se o plano de Infantino de dar mais dinheiro a cada federação nacional for cumprido, a Fifa “estará quebrada em três anos”. O presidente da CBF, o coronel Antônio Nunes, evitou se pronunciar e, por meio de seus assessores, indicou que não daria entrevistas antes de uma reunião da Conmebol nesta quinta-feira.

Em termos esportivos, a CBF admite que o candidato que mais faria sentido seria Infantino, ex-secretário geral da Uefa, que poderia aliar os dois principais continentes na história do futebol, mas o avanço de Salman pela África e o apoio recebido da Ásia estão fazendo o Brasil refletir. “Precisamos estar do lado do vencedor”, disse um dirigente brasileiro, sob a condição de anonimato.

Afastada do comando do futebol mundial, com seus dirigentes presos, licenciados ou simplesmente temendo a Justiça, a CBF sabe que precisará do apoio do futuro presidente da Fifa para se blindar e voltar a operar com influência internacional no futebol. “Para isso, vai precisar estar do lado certo na hora da votação”, disse um observador das eleições na Fifa.

O preço a pagar, porém, pode ser alto. Salman tem um histórico complicado, com acusações de violações aos direitos humanos durante a Primavera Árabe e a ausência de um plano de governo, pelo menos ao público. Ele insiste na necessidade de separar a “Fifa política” da “Fifa administrativa”, mas causou controvérsia ao dizer que o que a entidade já fez para combater a corrupção – afastar Joseph Blatter e outros cartolas – foi “suficiente”.

Uma das opções da CBF será a de manter o voto em Infantino numa primeira rodada. Mas se sentir que Salman conta com um número elevado de apoio, poderia migrar. “Meu avô sempre dizia que, quando uma pessoa entra na cabine para votar, a vontade de trair é muito grande”, contou um dirigente em um luxuoso hotel de Zurique, em referência ao seu antepassado com cargo político numa pequena cidade do interior.

Na terça-feira, o Príncipe da Jordânia, Ali Bin Al-Hussein, outro candidato à presidência, disse que tentaria anular a eleição desta sexta-feira porque a Fifa se negou a instalar cabines de votação transparentes. Segundo ele, há candidatos que exigiram de seus eleitores que gravassem seus votos para garantir que não houve “traição”.

Xeque Salman Bin Ibrahim Al-Khalifa, do Bahrein, em encontro com o então presidente da Fifa, Joseph Blatter, em 2013

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(com Estadão Conteúdo)

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