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Benzema se defende sobre chantagem: ‘Só quis ajudar’

Atacante do Real Madrid admite ter participado de negociação com criminosos, mas se diz inocente. Escândalo já vem sendo tratado por políticos franceses

O atacante Karim Benzema negou qualquer intenção de prejudicar o colega Mathieu Valbuena no escândalo de chantagem que vem abalando a seleção francesa. Em trechos do seu depoimento à Justiça, divulgados nesta quarta-feira pelo jornal Le Monde, o jogador do Real Madrid garantiu que tudo não passou de um “grande mal-entendido”. Benzema é suspeito de ter colaborado com criminosos que pretendiam cobrar milhares de euros para não publicar um vídeo de conteúdo erótico de Valbuena.

“Acredito que tudo é um grande mal-entendido. A princípio, eu só queria ajudá-lo porque já haviam feito algo parecido comigo. E se trata de alguém que joga comigo na seleção da França, é um amigo”, disse Benzema à juíza de instrução de Versailles, Nathalie Boutard. O atacante do Real Madrid se tornou réu no caso de chantagem por ser considerado um intermediário no contato de um criminoso, que seria seu amigo de infância, com Valbuena.

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O autor da chantagem alegou possuir um vídeo íntimo de Valbuena com sua namorada e pediu 150.000 euros para não divulgar o material. Em sua defesa, Benzema disse que ficou sabendo do vídeo ao ser informado por um desconhecido e apenas tentou auxiliar Valbuena no desenrolar do caso.

“Quando disse a ele que havia um vídeo, que poderia contar comigo e que eu poderia ajudá-lo, ele começou a fazer perguntas sobre esse tipo de coisa. Eu disse que tudo dependia dele e que havia alguém que poderia tentar ajudá-lo também. Era Zenati”, afirmou Benzema, na audiência com a Justiça francesa, citando Karim Zenati, seu amigo de infância, que poderia levá-lo aos criminosos.

O atacante do Real Madrid também falou sobre as seis conversas telefônicas que manteve com Zenati e que foram interceptadas pela polícia entre junho e outubro. Nelas, Benzema faz piadas sobre o caso, fato visto como comprometedor pela juíza. “Pode-se escutar durante a conversa que estou fazendo piada, mas falo apenas em ajudá-lo. Não havia segundas intenções”, alegou Benzema.

O jogador ainda explicou o uso do termo “tarlouze” (termo francês que se refere, de maneira pejorativa, a homossexuais) ao falar sobre Valbuena na conversa. “É uma maneira que tenho de chamar meus amigos, falo frequentemente assim, com qualquer um deles. Para mim, para minha geração, não é desrespeitoso.”

Política – O caso de vantagem vem gerando enorme repercussão na França, inclusive em discussões políticas. Na segunda-feira, o primeiro ministro francês, Manuel Valls, afirmou à rádio Europe 1 que o Benzema não é uma pessoa exemplar e que não deveria ser convocado para a seleção francesa que dispustará à Euro de 2016, em casa. Horas depois, o advogado de Benzema, Alain Jakubowicz, condenou duramente a declaração de Valls.

“O que faz o primeiro ministro com a presunção de inocência? A forma escandalosa como o assunto vem sendo tratado levou Valls a falar sem conhecimento algum. Amanhã quem vai falar? O presidente François Hollande?” ironizou Jakubowicz, em entrevista à rádio RTL.

O ex-presidente da França, Nicolás Sarkozy, adversário político do primeiro-ministro Valls, saiu em defesa de Benzema. “Não gosto de lições de moral. Todo mundo fala de coisas sem saber, que estão cobertas por segredo de Justiça. Aqui se acusa, se denuncia, se destrói e se reprova”, afirmou Sarkozy à Europe 1. Benzema, de 27 anos, tem origem argelina e é constantemente criticado por não cantar a Marselhesa, o hino francês, antes das partidas da seleção – o astro Zinedine Zidane, também filho de argelinos, fazia o mesmo.

(Da redação)

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