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‘Vizinhos 2’ tenta levar o feminismo para a comédia

Sequência de filme de 2014 agora traz uma irmandade feminina brigando com o casal protagonista

Em 2014, a comédia Vizinhos fez um sucesso além do esperado, arrecadando em bilheteria mais de 270 milhões de dólares no mundo todo – com um orçamento de modestos 18 milhões de dólares. A cifra garantiu com rapidez a produção da sequência Vizinhos 2, que estreou nesta quinta-feira nos cinemas. O longa repete o mesmo estilo de piadas do filme original, mas tenta colocar em cena um novo tópico: o feminismo. O recurso, contudo, funciona em partes.

A premissa é praticamente a mesma. Prestes a ganhar uma nova filha, o casal Mac (Seth Rogen) e Kelly (Rose Byrne) precisa vender sua casa. Eles fecham um acordo, mas logo descobrem que a residência vizinha, desocupada depois que conseguiram expulsar dali a irmandade comandada por Teddy (Zac Efron), acabou de ser alugada por uma república de meninas, liderada por Shelby (Chloë Grace Moretz). O pesadelo vivido em um passado não muito distante pelos protagonistas retorna, agora reforçado pelo medo de perder o negócio de venda do imóvel. O casal, então, inicia uma nova batalha para se livrar das vizinhas indesejadas.

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O feminismo dá as caras logo no começo, quando Shelby descobre que irmandades com garotas, ao contrário das masculinas, são proibidas por lei de promoverem festas. Ela e as amigas Beth (Kiersey Clemons) e Nora (Beanie Feldstein) se dizem cansadas de serem vistas como objeto sexual, papel que comumente desempenham nas comemorações organizadas pelos garotos e, por isso, decidem fundar sua própria república, sendo assim livres para fazerem o que quiserem.

Zac Efron ressurge na trama inicialmente do lado das meninas. Depois que seu melhor amigo Pete (Dave Franco) decide se casar com o namorado, Teddy precisa deixar o apartamento que dividem, e vai parar no único lugar que chama de lar: a antiga casa que abrigava sua república. Lá, ele conhece as garotas e oferece seus serviços como mentor. Porém, as moças logo decidem que ele, no auge de seus 20 e poucos anos, é velho e chato demais para continuar morando ali. Expulso, o rapaz muda de time e passa a ajudar Mac e Kelly na disputa territorial.

Além de mostrar o corpo sarado – sua principal função nos últimos anos no cinema -, Zac Efron serve como elemento de comparação para a ironia de grande parte das piadas sobre as diferenças entre meninas e meninos. São várias as ocasiões em que ele fala alguma coisa e as garotas rebatem com “isso é sexismo”. Por exemplo, quando ele pergunta qual era o problema com as festas que produzia, Shelby prontamente responde que todas tinham a palavra “minas” no título como atrativo para os homens marcarem presença, o que fazia as jovens se sentirem mal.

As piadas sujas e politicamente incorretas continuam, mas a quantidade de risadas diminui. Boa parte do humor segue para a temática feminista, que ganhou destaque nos últimos anos em Hollywood, especialmente com a luta das atrizes por salários equiparados aos dos atores, e a popularização de comediantes como Amy Schumer e Mindy Kalling, que usam a comédia irônica para discutir o assunto. O filme ainda oferece uma moral de empoderamento feminino, com direito a um discurso de Rose Byrne para as garotas, e a preocupação da mesma sobre o mundo que ela quer para suas duas filhas.

Porém, o feminismo do filme fica mais no discurso do que na prática. É notável uma diferença de tratamento entre as personagens mulheres da sequência e os garotos do longa anterior. No original, os rapazes da irmandade possuíam um comportamento sexual libertino e visto como algo saudável e comum para homens. Porém, ao colocar as garotas em destaque, o sexo quase some da trama. São poucas as cenas em que as meninas comentam brevemente sobre suas relações de forma sutil – Shelby, inclusive, é virgem. Na comédia as garotas são livres para fazerem o que quiserem, mas só na teoria.

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