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Tradutor e professor Boris Schnaiderman morre aos 99 anos

O ucraniano foi o grande responsável por difundir a literatura russa no Brasil: além de traduzir obras para o português, criou o curso de língua russa da Universidade de São Paulo

Escritor, tradutor e professor do curso de Língua e Literatura Russa da Universidade de São Paulo (USP), Boris Schnaiderman morreu em São Paulo no início da noite desta quarta-feira, aos 99 anos, em decorrência de uma pneumonia. Ele estava internado no Hospital Samaritano desde a semana passada, depois de fraturar o fêmur.

Schnaiderman foi o grande responsável por difundir a literatura russa no Brasil com suas traduções diretas – antes, o que chegava era traduzido do inglês e do francês – e por formar toda uma geração de tradutores. Foi ele quem criou o curso de língua e literatura russa da USP, em 1963.

Aposentado desde 1979, continuou ligado à universidade e, sobretudo, à tarefa de tradutor. Verteu para o português importantes obras de autores como Fiódor Dostoiévski,

Liev Tolstói, Anton Tchekhov, Máximo Gorki, Isaac Babel, Boris Pasternak, Alexandre Pushkin e Vladimir Maiakovski.

Boris nasceu em 17 de maio de 1917, em Úman, na Ucrânia, e emigrou da União Soviética com a família em 1924. Chegaram ao Rio de Janeiro em 1925 e escolheram São Paulo para viver.

Em 1941, o russo naturalizado brasileiro se juntou à Força Expedicionária Brasileira e lutou na Segunda Guerra Mundial. Por ter nascido na Ucrânia, ele não teria obrigação de ir para a guerra, mas sua vontade de combater o nazismo o impulsionou para o serviço militar.

Da experiência, nasceram dois livros: o romance Guerra em Surdina (1964) e, mais recentemente, em 2015, o autobiográfico Caderno Italiano.

(Com Estadão Conteúdo)

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