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Sem sustos desonestos, ‘A Bruxa’ aterroriza pela tensão

Filme causa medo com suspense intimidador e criatividade na condução da história

O terror é um dos gêneros mais fecundos do cinema. Uns são bons, outros nem tanto. E não são poucos os que lançam mão de um artifício comum ao estilo: protagonistas atônitos e indefesos que andam cabreiros por um corredor escuro até serem assustados – junto com o espectador – por um demônio ou assombração. Isso não acontece em A Bruxa, que chega nesta quinta-feira aos cinemas brasileiros. O longa troca o susto desonesto pela tensão, obtida com altas doses de suspense. Os clichês dos terrores em geral são substituídos por uma trama histórica, que se passa nos Estados Unidos do século XVII, e que inova com pouco esforço, mas muita criatividade.

A trama começa com uma família sendo banida do condado onde mora, por conflitos religiosos, já que o pai William (Ralph Ineson) enfrenta a comunidade por possuir interpretações ardilosas do evangelho. O casal com seus cinco filhos partem em busca de um terreno para viver. Após se assentarem em uma clareira no meio da floresta, a filha mais velha, Thomasin (Anya Taylor-Joy), vai com o caçula Samuel, um bebê recém-nascido, para perto das árvores. Em um rápido momento de brincadeira, o irmão some de forma misteriosa. Ela não vê, mas o espectador no cinema sabe que o pequeno foi levado por uma figura encapada mata adentro.

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Com o desaparecimento, a mãe, Katherine (Kate Dickie), passa a rezar dia e noite pelo filho perdido, com medo de que ele tenha ido para o inferno, pois ainda não havia sido batizado. É na fé, inclusive, que a família se apoia para vencer o terror que passa a rondar a casa – e mais tarde, é também a crença algo a ser questionada. A situação angustiante desgraça a vida da família, deixando os laços entre seus membros cada vez mais frágeis e evidenciando as falhas e hipocrisias individuais de cada um. A situação delicada é a brecha para o mal que os ronda.

Uma boa escolha do diretor Robert Eggers é o foco transitório. Por horas, o centro da história parece a bela Thomasin, perturbada por ser considerada a culpada pelo desaparecimento do bebê. Porém Caleb (Harvey Scrimshaw), o segundo filho, também tem seus momentos de protagonismo frente às assombrações, assim como os enigmáticos gêmeos mais novos: Mercy (Ellie Grainger) e Jonas (Lucas Dawson), com sua estranha relação com o bode da família. As mudanças deixam o público apreensivo e tenso sobre quem é o verdadeiro alvo – se é que ele existe – e qual o real objetivo da bruxa. A estratégia alcança o resultado desejado por conta da ótima atuação de todo o elenco, extremamente entrosado.

No pano de fundo, uma interessante visão histórica. A produção se apoiou em documentos e registros americanos sobre bruxaria da época retratada, quando mulheres eram levadas à fogueira acusadas de feitiçaria. Até mesmo alguns trechos de diálogos do filme foram retirados na íntegra do material estudado.

Apesar da paranoia religiosa ser um fio condutor, o medo é realmente materializado na personagem da bruxa. Contudo, ela fica escondida durante a maior parte do tempo. Esse talvez seja o maior trunfo do longa, que amedronta não com a presença da criatura, mas sim com a expectativa e tensão que tomam conta do filme, dando a sensação de que a qualquer momento a feiticeira pode aparecer causando algo terrível. Para isso, o cineasta utiliza técnicas eficientes, com takes longos e sombrios acompanhados de uma tétrica trilha sonora, o que causa calafrios e deixa o público vidrado.

É de se elogiar o trabalho de Eggers, que também foi o responsável pelo roteiro. É verdade que, apesar de começar tensa, a produção tem seus momentos monótonos, mas o desfecho, com cenas perturbadoras e assustadoras, coroa uma sólida estreia do cineasta em longas, que rendeu a ele um prêmio de direção em Sundance no ano passado.

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‘Boneco do Mal’

O filme se baseia em um grande clichê do gênero: bonecos que aparentemente estão possuídos por forças sobrenaturais. A trama acompanha a jovem americana Greta (Lauren Cohan) que, querendo fugir de um relacionamento abusivo, aceita um emprego como babá na Inglaterra. Mas, ao chegar à mansão isolada no meio de um bosque, ela descobre que o menino de oito anos do qual iria cuidar, na verdade, é um boneco que todos tratam como uma criança. Greta não acredita na história inicialmente e ignora várias regras deixadas pelos pais do boneco. Isso desencadeia uma série de situações assustadoras e ameaçadoras. Boneco do Mal estreia no Brasil no dia 18 de fevereiro.

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‘A Bruxa’

O diretor Robert Eggers foi o grande vencedor do Festival de Sundance em 2015 com o terror que se passa em 1630 e acompanha uma família que se muda para o interior da Nova Inglaterra, no nordeste dos Estados Unidos. Após a mudança, a família extremamente religiosa começa a passar por situações sobrenaturais, com animais malévolos, a morte de toda a plantação e o sumiço do caçula da família. Os protagonistas vivem próximos a uma floresta e acreditam que nela habita uma estranha força maligna, mas que também pode estar dentro de um dos membros da família. A Bruxa estreia nos cinemas brasileiros no dia 3 de março.

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‘Floresta Maldita’

A Aokigahara é uma floresta real que fica no Japão, aos pés do Monte Fuji. Ela é conhecida por ser o local comum para as pessoas cometerem suicídio no país. A floresta, também conhecida como Mar de Árvores, é relacionada a muitas lendas da mitologia japonesa que dizem que demônios e espíritos vivem ali. É neste local já sombrio por natureza que se passa o filme Floresta Maldita, estrelado por Natalie Dormer (Game of Thrones). A atriz vive a jovem Sara, que descobre que sua irmã gêmea viajou até a floresta onde desapareceu. Apesar dos vários alertas, ela entra no meio das árvores e decide ficar ali até encontrar a irmã, mas obviamente seres sobrenaturais começam a persegui-la. O filme estreia no Brasil no dia 17 de março.

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‘Rua Cloverfield, 10’

Uma jovem sofre um acidente de carro e acorda no porão de um desconhecido, que diz ter salvado sua vida de um ataque químico que deixou o mundo inabitável, motivo pelo qual eles devem permanecer protegidos e escondidos no local. Desconfiada da história, ela tenta descobrir um modo de se libertar, apenas para descobrir um perigo muito maior do lado de fora. Esta é a sinopse de Rua Cloverfield,10, produzido inteiramente em segredo por J.J. Abrams (diretor do novo ‘Star Wars’), como a continuação direta de Cloverfield, de 2008. O filme original foi um sucesso, mostrando um monstro destruindo a cidade de Nova York, mas apenas através de uma câmera de mão. Na sequência, o formato mudou e os personagens também, mas os mesmo mistérios que envolviam o primeiro longa continuam. O suspense estreia no Brasil no dia 7 de abril.

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‘Invocação do Mal 2’

Invocação do Mal, de 2013, fez tanto sucesso que já ganhou um longa derivado, Annabelle, sobre a boneca maldita, e agora chega uma sequência direta do filme original. Os atores Vera Farmiga e Patrick Wilson reprisam os papeis do casal de demonologistas, Lorraine e Ed Warren. Assim como o primeiro filme, Invocação do Mal 2 é baseado em um história real vivida pelos dois pesquisadores e caçadores de demônios. Desta vez eles viajam até Londres para ajudar uma mãe solteira, e seus quatro filhos, que moram em uma casa assombrada por espíritos. O filme estreia no dia 9 de junho.

Cena do filme 'O Chamado' Cena do filme ‘O Chamado’

Cena do filme ‘O Chamado’ (/)

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