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Radiohead mantém essência melancólica em novo disco

'A Moon Shaped Pool' é o nono álbum de estúdio da banda britânica

Existe uma famosa frase que se tornou piada na internet e diz: “Não sei o que dizer, só sei sentir”. O meme funciona perfeitamente bem para descrever a música da banda Radiohead, especialmente o novo disco de estúdio, A Moon Shaped Pool, disponibilizado neste domingo.

Com seu característico tom etéreo, o grupo reúne diferentes sonoridades, desde arranjos orquestrais, fundos de piano e toques eletrônicos até o rock folk e instrumentos latinos. A salada funciona, apesar da irregularidade das faixas, algumas muito boas, outras medianas. Em comum, as onze canções possuem a identidade da banda, velha adepta da essência melancólica. Os vocais de Thom Yorke ajudam. As letras poéticas, por vezes desconexas, também.

Caso da já conhecida Daydreaming, ainda a melhor faixa do disco, divulgada com um clipe na sexta-feira passada. Assim como dá a entender o clipe da canção, o clima lúdico parece ser trilha de um sonho, mesclando delicadas notas no teclado com efeitos eletrônicos. Na letra, Yorke canta que o “sonhadores nunca aprendem”, até que chegam ao “ponto sem retorno”, quando é “tarde demais, o estrago já foi feito”. Composições de interpretação ampla seguem em boa parte das demais faixas, que pouco entregam de sua real intenção.

A canção abre o disco juntamente com Burn The Witch, primeiro single a ser divulgado, e o mais animado de todo o trabalho.


A faixa seguinte, Decks Dark, tem uma batida mais marcada, repetitiva e crescente, que desemboca em um instrumental quase sacro, um bom encaixe para Desert Island Disk, com base de violão e tom folk. A marcação serve como entrada para Full Stop, uma balada eletrônica underground. “Você realmente estragou tudo/ Se você pudesse voltar atrás/ Fileiras e fileiras de inimigos/ Nosso amor te libertaria/ Queria que você sentisse minha falta desse jeito”, diz o começo da canção, enquanto no desfecho ele pede para que seu amor o aceite de volta.

A depressão bate forte na sexta faixa do disco, Glass Eyes, uma brega balada romântica no piano sobre um amor mal amado. A canção se perde com a sequência da batida de Identikit e de The Numbers, faixa com base em um violão dedilhado que lembra o ritmo da bossa nova.

A inspiração latina se mantém em Present Tense, um pouco melhor que sua antecessora, também apoiada no violão e uma criativa percussão. O disco chega ao fim com Tinker Tailor Soldier Sailor Rich Man Poor Man Beggar Man Thief e True Love Waits, duas belas e românticas faixas, de instrumental forte, que concluem o clima espiritual que emana de Yorke e companhia.


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