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Oscar: disputa apertada pode surpreender ‘O Regresso’

Filme com Leonardo DiCaprio é o favorito para levar os principais prêmios da noite, porém, produções menores correm por fora e podem roubar estatuetas

Cercado por diversas outras premiações, apelidadas de termômetro, o Oscar tem sofrido nos últimos anos com o fator previsibilidade. Se uma produção ganha o Globo de Ouro ou o prêmio principal do Sindicato dos Produtores de Hollywood, logo, ele está bem perto de levar o Oscar de melhor filme. O mesmo vale para outras categorias badaladas, como atuação, direção e roteiro. É este pano de fundo que faz de O Regresso, indicado em doze categorias, o favorito aos grandes prêmios da noite. Contudo, o cineasta mexicano Alejandro G. Iñárritu terá que enfrentar indicados menos pomposos, mas também interessantes, que possuem potencial para surpreender a megaprodução.

A Grande Aposta – Entre os competidores em busca de puxar o tapete de O Regresso, três se destacam. O primeiro é A Grande Aposta. O filme meio dramático, meio cômico, narra a história de profissionais que conseguiram prever a crise econômica que assolaria os Estados Unidos e o mundo em 2008. O longa tem a seu favor dois importantes prêmios, o do Sindicato dos Produtores e do Sindicato dos Roteiristas. O primeiro, especialmente, é um forte indicativo para o Oscar, por lançar mão de um processo parecido de votação e também contar com membros da Academia de Hollywood entre seus eleitores.

Em 2015, por exemplo, Birdman, que levou o Oscar de melhor filme, saiu vencedor do Prêmio do Sindicato dos Produtores. Enquanto Boyhood venceu o Globo de Ouro – mesmo prêmio conquistado este ano por O Regresso -, mas viu seu favoritismo no Oscar ser engolido pelo longa estrelado por Michael Keaton. No ano anterior, 12 Anos de Escravidão dividiu a honraria do sindicato com Gravidade, o que deixou a disputa no Oscar mais acirrada. Por fim, o filme de Steve McQueen levou a melhor.

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Spotlight e atores – Quem também tem boas chances de sair com algumas estatuetas douradas na mão no domingo é Spotlight – Segredos Revelados, de Thomas McCarthy. A produção estrelada por Mark Ruffalo, Rachel McAdams, Michael Keaton, entre outros, tem se destacado nas premiações de atuação, caso do Sindicato dos Atores, que elegeu o grupo como o melhor do ano. O longa que narra a investigação de jornalistas em casos de abusos sexuais envolvendo padres e crianças também saiu vencedor no Sindicato dos Roteiristas, por melhor trama original.

Ruffalo, aliás, é o mais cotado para ficar com o Oscar de ator coadjuvante, se Sylvester Stallone e seu famigerado Rocky permitirem. A categoria de atriz coadjuvante é outra que não tem um favorito absoluto, diferentemente da de melhor ator e atriz, que devem premiar Leonardo DiCaprio e Brie Larson, por O Quarto de Jack. Competem pelo prêmio Kate Winslet (Steve Jobs), Alicia Vikander (A Garota Dinamarquesa), Rooney Mara (Carol), Jennifer Jason Leigh (Os Oito Odiados) e Rachel McAdams (Spotlight). Todas ótimas. As apostas dos especialistas pairam sobre Kate e Alicia.

Mad Max – Já nas categorias técnicas, o principal concorrente de O Regresso é Mad Max: Estrada da Fúria. O impressionante filme de George Miller aparece em dez categorias do Oscar e duas bastante importantes podem ferir a honra do favorito. A primeira é de melhor fotografia. Emmanuel Lubezki é o profissional do momento da área. O mexicano levou o prêmio nas duas últimas edições, por Gravidade e Birdman, e soma oito indicações. O trabalho de fotografia de O Regresso é primoroso, mas o de Mad Max também. Porém, o Oscar pode acabar nas mãos do australiano John Seale, que levou o prêmio em 1996 por O Paciente Inglês.

O longa distópico também é uma pedra no caminho de Iñárritu na categoria de direção. Miller, no auge de seus 70 anos, fez os cineastas novinhos comerem poeira com o eletrizante ritmo de ação de Mad Max. A produção é grandiosa e foi necessária uma musculatura experiente para conduzi-la. Também conta a favor de Miller o fato de que Iñárritu venceu o prêmio no ano passado. Se fizer a dobradinha deste ano, repetirá um feito raro na história do Oscar, alcançado por nomes como John Ford, Joseph L. Mankiewicz e Lewis Milestone.

Cerimônia – O Oscar acontece neste domingo, dia 28. Site de VEJA acompanhará a premiação com comentários ao vivo em texto e vídeo, além de publicações nas redes sociais. Acompanhe!

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‘A Grande Aposta’

O filme narra a história de alguns empresários americanos que preveem a crise econômica de 2008 anos antes de ela eclodir nos Estados Unidos. Eles são vistos como malucos, já que apostam na falência do mercado imobiliário, que até então era a fonte de segurança da economia do país. O longa conta com um elenco de peso, incluindo Brad Pitt, Christian Bale, Ryan Gosling e Steve Carell. Seus personagens descobrem essa fonte de lucro por diferentes caminhos, e a história de cada um influencia a dos demais. Dirigido por Adam McKay (Tudo Por um Furo), o longa tem um enredo divertido e lança mão de técnicas não convencionais para deixar o assunto mais palatável para leigos em economia. Quando, por exemplo, o diretor usa cenas com celebridades que nada tem a ver com a história, como Selena Gomez, e que surgem para esclarecer algum tópico. A ótica pouco usual sobre o período transforma um dos momentos mais tensos da história recente americana em comédia e lembra que não há nada como superar um trauma com risadas. 

Estreia no Brasil em 14 de janeiro de 2016

‘Ponte dos Espiões’

O filme marca a volta da dupla formada pelo diretor Steven Spielberg e um de seus atores preferidos, Tom Hanks. Ele interpreta James B. Donovan, um corretíssimo advogado de Nova York designado para um caso que ninguém gostaria de pegar: o de Rudolf Abel (Mark Rylance), um espião russo preso na Nova York de 1957, em plena Guerra Fria. As autoridades querem apenas fazer um teatro para mostrar ao mundo como os Estados Unidos são justos, mas Donovan não se adequa à fachada e faz de tudo para aliviar a punição de Abel e livrá-lo da pena de morte. Em paralelo, o roteiro dos irmãos Coen mostra jovens pilotos recrutados para espionar áreas da União Soviética (URSS). Um deles, Francis G. Powers, tem o avião abatido em missão e pousa de paraquedas na Rússia, onde é feito prisioneiro. O personagem de Tom Hanks, então, é chamado pela CIA para negociar a troca do prisioneiro russo pelo americano, mas sem deixar de se importar com Abel, com quem desenvolve uma amizade em tom de fábula.

Estreou no Brasil em 22 de outubro de 2015

‘Brooklyn’

Baseado no best-seller Brooklyn, de Colm Tóibín, o filme se passa no início da década de 1950 em dois locais: o bairro homônimo de Nova York e em uma pequena cidade da Irlanda. A história é focada em Eilis Lacey (Saoirse Ronan), que imigra da Irlanda aos Estados Unidos em busca de um lugar que lhe ofereça mais oportunidades, deixando para trás a mãe e a irmã. Em meio aos problemas enfrentados no novo país, especialmente a solidão e a saudade de casa, ela conhece e se envolve com o italiano Tony Fiorello (Emory Cohen). Juntos, eles passam a vislumbrar uma vida em família no futuro, mas são interrompidos quando Eilis é convocada para retornar à sua cidade natal. A personagem se vê dividida entre o conforto do lar, onde se depara com um novo pretendente, e o namorado italiano que a deixou em Nova York – um convite irresistível para que a plateia se junte à protagonista em seus questionamentos. 

Sem data de estreia no Brasil

‘Mad Max: Estrada da Fúria’

O quarto filme da franquia pós-apocalíptica marca a volta do diretor George Miller à sérier iniciada em 1979 que teve Mel Gibson como protagonista. A nova produção reforça o mundo caótico de poeira, sangue e loucura de Miller, mas agora se valendo de uma presença feminina mais forte, com a personagem Imperatriz Furiosa, vivida por Charlize Theron. Gibson é substituído por Tom Hardy no papel de Max Rockatansky, um homem desequilibrado, movido pelo instinto de sobrevivência em um mundo onde se disputam água e petróleo. Na primeira sequência, ele é perseguido e capturado por uma gangue das estradas, que o leva para a Cidadela, dominada por Immortan Joe (Hugh Keays-Byrne, também o vilão no primeiro Mad Max). O filme tem cenas viscerais, mas tão bem filmadas que nem a pior das mortes leva alguém a querer fechar os olhos. A bela fotografia de John Seale, que também recebeu indicação ao Oscar 2016, distancia o filme de um mero longa de ação com excesso de poeira. 

Estreou no Brasil em 14 de maio de 2015

‘Perdido em Marte’

O filme, que marca a volta do diretor Ridley Scott (Prometheus) ao espaço, foi um dos destaques do Globo de Ouro de 2016 – venceu na categoria de melhor filme de comédia e de melhor ator pelo trabalho do protagonista Matt Damon. O longa narra a trajetória de Mark Watney, membro de uma missão em Marte que é dado como morto durante uma tempestade que força a evacuação da tripulação comandada por Melissa Lewis (Jessica Chastain). Quando se descobre sozinho, o astronauta passa a explorar ao máximo os conhecimentos científicos para sobreviver, já que a próxima missão está prevista para dali a quatro anos. Watney, além da racionalidade, tem outra arma poderosa: o humor. Enquanto isso, a Nasa descobre por meio de fotografias que ele sobreviveu e começa a tentar arrumar um jeito de salvá-lo. Trata-se de um longa humanista, em que pessoas de diferentes cores, credos e culturas se juntam para salvar apenas um homem. 

Estreou no Brasil em 1º de outubro de 2015

‘O Regresso’

O filme lidera o número de indicações ao Oscar neste ano: são doze categorias, incluindo as de melhor filme e ator, com grandes chances de Leonardo DiCaprio, enfim, levar a estatueta. Dirigido pelo mexicano Alejandro Iñarritú (Birdman), o longa é baseado no livro de Michael Punke sobre Hugh Glass, um guia do norte dos Estados Unidos que é atacado por índios quando leva um grupo de mercadores de pele a uma região dominada por nativos. Glass, interpretado por DiCaprio, passa por numerosos testes de sobrevivência e violentas situações, incluindo o ataque de uma ursa e o assassinato de seu filho. Ao buscar o responsável pelo crime, ele segue sua dolorosa e silenciosa jornada, enfrentando nevascas, falta de alimentos e ferimentos.

Estreia no brasil em 21 de janeiro de 2016

‘O Quarto de Jack’

A adaptação do livro Room, de Emma Donoghue, tem como um de seus maiores trunfos a atuação de Brie Larson (Anjos da Lei), indicada a melhor atriz no Oscar deste ano e vencedora do Globo de Ouro na mesma categoria. No longa, ela interpreta Ma, uma jovem mulher que foi sequestrada por um homem psicótico que comete abusos diários contra ela. A protagonista e seu filho, Jack, de 5 anos, são forçados a viver dentro de um quarto. Aquele espaço minúsculo, que ainda tem banheiro e fogão, é o que Jack conhece como o mundo, e as cenas mostram o esforço da protagonista de esconder a verdade da criança. Quando a situação se torna insustentável, Ma bola um plano para fugir com Jack, proporcionando ao espectador observar a trajetória dessa criança na descoberta de um novo mundo, onde tudo – de janelas a carros – se transformam em informações devastadoras. 

Estreia em 18 de fevereiro de 2016 no Brasil

‘Spotlight – Segredos Revelados’

Desde a sua estreia, o longa foi considerado um dos favoritos para o Oscar de melhor filme. Dirigido por Tom McCarthy, Spotlight narra o processo de apuração do jornal americano Boston Globe em torno das acusações ao padre John Geoghan, que teria molestado mais de 80 meninos enquanto estava à frente de uma paróquia, entre os anos 1970 e 80. A equipe que assume a investigação é formada pelo editor Walter ‘Robby’ Robinson (Michael Keaton) e pelos repórteres Michael Rezendes (Mark Ruffalo), Sacha Pfeiffer (Rachel McAdams) e Matt Carroll (Brian D’Arcy James). O trabalho leva meses, tomando proporções inimagináveis, e o resultado é uma reportagem vencedora do cobiçado prêmio Pulitzer de jornalismo. Ao contrário de outros filmes sobre investigações jornalísticas, a produção evita colocar a profissão como heróica e ainda culpa a imprensa por assistir à proliferação do crime com vendas nos olhos. 

Estreou no Brasil em 7 de janeiro de 2016

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