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‘O Jovem Messias’ faz Jesus ter crise de identidade na infância

Filme imagina como teriam sido os primeiros anos na vida do salvador cristão

A Bíblia cristã possui quatro evangelhos que narram a vida de Jesus Cristo, o aguardado messias que mudaria a vida dos judeus – naquela época, subjugados pelo poder do Império Romano. Os livros bíblicos, contudo, pouco contam o que teria vivido Jesus antes do início de seu ministério, por volta dos 30 anos de idade. Mateus, Marcos, Lucas e João falam sobre o milagre de seu nascimento e rapidamente citam um episódio em que, aos 12 anos, o jovem deixou boquiabertos alguns ministros do templo em Jerusalém. Ele já era visivelmente mais sábio que as demais crianças da idade e mostrava convicção em seu propósito.

No filme O Jovem Messias, que chega ao Brasil nesta quinta-feira, as lacunas deixadas pela Bíblia são preenchidas pela história imaginada por Anne Rice. Por décadas, a autora americana dedicou sua escrita a seres vampirescos, sendo seu livro mais famoso Entrevista com o Vampiro, de 1976, adaptado para o cinema com Tom Cruise e Brad Pitt, em 1994.

Na trama cristã, Anne lança mão de seu conhecimento dos recursos da fantasia e transforma Jesus, interpretado por Adam Greaves-Neal, em um ser com poderes difíceis de serem assimilados por uma criança – quase um X-Men mirim. Aos 7 anos, ele ressuscita um pássaro morto, habilidade que, mais tarde, levantará do leito de morte um adolescente que praticava bullying com o pequeno salvador enquanto ele e a família ainda viviam no Egito. Jesus não entendia por que era dotado de poderes. E seus pais e tios evitavam falar sobre seu passado curto, mas já repleto de episódios miraculosos.

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Protetores, José (Vincent Walsh) e Maria (Sara Lazzaro) pedem ao filho que não realize milagres para não chamar a atenção dos romanos, muito menos de Herodes Antipas, filho de Herodes, o Grande, o rei da Judéia, que levou a família do messias a fugir para o Egito quando ordenou a matança de todos os garotos com menos de dois anos de idade – tendo como alvo Jesus. O episódio que marcou a história dos hebreus é usado na narrativa como um trauma na vida de alguns soldados, entre eles Severus (Sean Bean), que será novamente incumbido da missão de encontrar o tal salvador para matá-lo enquanto não oferece perigo ao Império.

A busca de Severus por Jesus e sua família, que acabam de retornar do Egito para Nazaré, na Galileia, contorna a trama principal, que foca na crise de identidade pra lá de precoce do jovem de 7 anos de idade.

Apesar do potencial da história, o filme falha em todos os seus sentidos – do ritmo, ao roteiro até a direção de atores. Dificilmente ele agradará aos mais religiosos, já que a Bíblia afirma que o primeiro milagre feito por Jesus foi durante uma festa de casamento, quando ele transformou água em vinho. Os interessados no contexto histórico também devem ficar decepcionados, pois o diretor Cyrus Nowrasteh (o mesmo de Apedrejamento de Soraya M.) exagera na estética típica de filmes religiosos, com músicas em tom sacro e estranhos focos de luz. Talvez o fã de fantasia, que já acompanha a autora, seja o público alvo da produção. Pena que ele vai comprar ingressos para ver Batman vs Superman, que entrou em cartaz no mesmo dia…

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