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Marina and the Diamonds traz, enfim, sua ‘sofrência hipster’ ao Brasil

Primeira apresentação no país acontece um ano após cantora cancelar show devido a atraso de voo. Canções de seus três álbuns saciaram fãs em São Paulo

“Diamantes brasileiros. Estou arrasada em confirmar que não poderei me apresentar hoje no Lollapalooza. Depois de doze horas de atraso, o voo foi cancelado às cinco da manhã.” Foi com esta mensagem, divulgada no Twitter, que a cantora galesa Marina Diamandis – mais conhecida pelo nome artístico de Marina and the Diamonds – partiu o coração de vários fãs, que compraram ingressos para vê-la na edição passada do Lollapalooza. Para evitar contratempos, este ano, ela chegou ao país com dois dias de antecedência e saciou a vontade acumulada dos fãs ao apresentar, pela primeira vez no país, o show de sua mais recente turnê, a Neon Nature Tour, no Áudio Club, em São Paulo. A apresentação marca a primeira Lolla Party, show paralelo ao Lollapalooza 2016, que acontece neste fim de semana.

Dividido três em atos, um para cada álbum, o show traz canções do disco de estreia da cantora, Family Jewels (2010), do segundo, Electra Heart (2011) e do terceiro, Froots (2015). Britanicamente às 23h30, horário previsto de início, Marina adentrou o palco com um collant verde à la sereia intergalática, levando os fãs – grande parte na faixa dos 20 e poucos anos – ao delírio. A primeira música foi a dançante Mowgli’s Road, que narra um percurso psicodélico do menino-lobo, entre a realidade e a fantasia. Na sequência, a cantora disparou os hits melancólicos I’m not a Robot e Oh No!. O primeiro bloco, todo com músicas do álbum de estreia, termina com Hollywood, sobre conflitos amorosos.

No segundo ato, a cantora sai de cena para trocar a cor do look, antes verde, agora rosa. Do segundo CD, mais vibrante e de maior apelo comercial, as três primeiras eleitas foram Bubblegum Bitch, Teen Idle e a potente How to be a Heartbreaker, cantada em uníssono pelo público. Um imprevisto aconteceu na canção seguinte, Obsessions. Sentada em frente a um piano, em uma interpretação introspectiva, Marina quase foi interrompida por um fã, que arremessou um objeto semelhante a um pacote, acertando em cheio na cara da cantora – que apenas sorriu e prosseguiu com o show. O desfecho deste bloco veio com Lies, quase uma “DR” musicada.

Do terceiro álbum, Marina entoou oito músicas. A primeira, Froot, que dá nome ao CD – totalmente autoral, diga-se de passagem – soa como um pop romântico e tropical. “Tenho guardado todos os meus verões para você. Como uma fruta”, diz trecho do refrão. Na plateia, bexigas coloridas potencializaram o clima de festa. Em seguida, veio a crítica Savages e a chiclete Cant’ Pin me Down. Menos festivas e mais introspectivas, a cantora emenda a apresentação com a balada I’m a Ruin, em que assume a falta de maturidade para se relacionar amorosamente: “Eu brinquei com o seu coração, e eu poderia ter te tratado melhor, mas não sou tão esperta”, diz. As duas últimas músicas, antes do bis, é claro, foram Forget e Immortal, ambas com um forte apelo libertador das dores de amores antigos. Após sair e voltar do palco, Marina fecha a apresentação com Happy, canção sobre amor próprio, e Blue, espécie de melô do remember: “Me dê mais uma noite. Um último adeus. Vamos fazer isso pela última vez”.

Tendo como principais marcas o vocal lírico mesclado ao pop vibrante – com influências do indie rock e da música eletrônica -, a cantora é uma forte representante de uma corrente que pode ser classificada como “sofrência hispter”, que tem outras porta-vozes, como Lana del Rey e Lorde. Com status de diva, mas não do mainstream, e sim do universo alternativo, Marina entregou em seu primeiro show no país exatamente o que os fãs esperavam: um show vibrante feito por uma artista completa, autêntica e que sabe a que veio. Para quem perdeu, a cantora volta a se apresentar neste sábado, no Lollapalooza, no palco Axe, às 21h45.

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