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Marina and the Diamonds traz, enfim, sua ‘sofrência hipster’ ao Brasil

Primeira apresentação no país acontece um ano após cantora cancelar show devido a atraso de voo. Canções de seus três álbuns saciaram fãs em São Paulo

Por da Redação - 12 mar 2016, 08h56

“Diamantes brasileiros. Estou arrasada em confirmar que não poderei me apresentar hoje no Lollapalooza. Depois de doze horas de atraso, o voo foi cancelado às cinco da manhã.” Foi com esta mensagem, divulgada no Twitter, que a cantora galesa Marina Diamandis – mais conhecida pelo nome artístico de Marina and the Diamonds – partiu o coração de vários fãs, que compraram ingressos para vê-la na edição passada do Lollapalooza. Para evitar contratempos, este ano, ela chegou ao país com dois dias de antecedência e saciou a vontade acumulada dos fãs ao apresentar, pela primeira vez no país, o show de sua mais recente turnê, a Neon Nature Tour, no Áudio Club, em São Paulo. A apresentação marca a primeira Lolla Party, show paralelo ao Lollapalooza 2016, que acontece neste fim de semana.

Dividido três em atos, um para cada álbum, o show traz canções do disco de estreia da cantora, Family Jewels (2010), do segundo, Electra Heart (2011) e do terceiro, Froots (2015). Britanicamente às 23h30, horário previsto de início, Marina adentrou o palco com um collant verde à la sereia intergalática, levando os fãs – grande parte na faixa dos 20 e poucos anos – ao delírio. A primeira música foi a dançante Mowgli’s Road, que narra um percurso psicodélico do menino-lobo, entre a realidade e a fantasia. Na sequência, a cantora disparou os hits melancólicos I’m not a Robot e Oh No!. O primeiro bloco, todo com músicas do álbum de estreia, termina com Hollywood, sobre conflitos amorosos.

No segundo ato, a cantora sai de cena para trocar a cor do look, antes verde, agora rosa. Do segundo CD, mais vibrante e de maior apelo comercial, as três primeiras eleitas foram Bubblegum Bitch, Teen Idle e a potente How to be a Heartbreaker, cantada em uníssono pelo público. Um imprevisto aconteceu na canção seguinte, Obsessions. Sentada em frente a um piano, em uma interpretação introspectiva, Marina quase foi interrompida por um fã, que arremessou um objeto semelhante a um pacote, acertando em cheio na cara da cantora – que apenas sorriu e prosseguiu com o show. O desfecho deste bloco veio com Lies, quase uma “DR” musicada.

Do terceiro álbum, Marina entoou oito músicas. A primeira, Froot, que dá nome ao CD – totalmente autoral, diga-se de passagem – soa como um pop romântico e tropical. “Tenho guardado todos os meus verões para você. Como uma fruta”, diz trecho do refrão. Na plateia, bexigas coloridas potencializaram o clima de festa. Em seguida, veio a crítica Savages e a chiclete Cant’ Pin me Down. Menos festivas e mais introspectivas, a cantora emenda a apresentação com a balada I’m a Ruin, em que assume a falta de maturidade para se relacionar amorosamente: “Eu brinquei com o seu coração, e eu poderia ter te tratado melhor, mas não sou tão esperta”, diz. As duas últimas músicas, antes do bis, é claro, foram Forget e Immortal, ambas com um forte apelo libertador das dores de amores antigos. Após sair e voltar do palco, Marina fecha a apresentação com Happy, canção sobre amor próprio, e Blue, espécie de melô do remember: “Me dê mais uma noite. Um último adeus. Vamos fazer isso pela última vez”.

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Tendo como principais marcas o vocal lírico mesclado ao pop vibrante – com influências do indie rock e da música eletrônica -, a cantora é uma forte representante de uma corrente que pode ser classificada como “sofrência hispter”, que tem outras porta-vozes, como Lana del Rey e Lorde. Com status de diva, mas não do mainstream, e sim do universo alternativo, Marina entregou em seu primeiro show no país exatamente o que os fãs esperavam: um show vibrante feito por uma artista completa, autêntica e que sabe a que veio. Para quem perdeu, a cantora volta a se apresentar neste sábado, no Lollapalooza, no palco Axe, às 21h45.

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