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Filme com Kristen Stewart é vaiado em Cannes

'Personal Shopper', de Olivier Assayas, perde-se na tentativa de explorar o sobrenatural

As sessões de imprensa não costumam ser um termômetro muito confiável da recepção aos filmes da competição no Festival de Cannes. Talvez pelo cansaço, a maior parte dos concorrentes é saudada com palmas protocolares ao final. De vez em quando, um longa consegue aplausos mais consistentes – nesta edição, foi o caso de Paterson, de Jim Jarmusch, Toni Erdmann, de Maren Ade, e Loving, de Jeff Nichols. Vaias são raras. Mas, quando acontecem e não são obra de um lobo solitário, a mensagem é bem clara. Mal de Pierres, da francesa Nicole Garcia, passou incólume, surpreendentemente. Seu conterrâneo Personal Shopper, de Olivier Assayas, não teve a mesma sorte na noite desta segunda-feira: as vaias foram muitas e persistentes e seguiram uma exibição pontuada por risos em momentos em que eles não deveriam existir. Estrelado por Kristen Stewart, Personal Shopper é mesmo cheio de problemas, especialmente em seu terço final.

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A atriz, que ganhou o César por Acima das Nuvens, produção anterior do próprio Assayas, interpreta Maureen, uma americana que trabalha em Paris como personal shopper de uma celebridade. Ela não gosta do que faz e fica em conflito com a superficialidade da coisa. A garota está em luto: seu irmão gêmeo Lewis morreu faz pouco tempo. Os dois eram médiuns, com habilidade de sentir a presença de espíritos. Combinaram que, quando um passasse desta para melhor, daria um sinal ao outro. Maureen agarra-se a essa esperança, ou despedida, enquanto reexamina sua própria vida, seus medos e suas angústias.

Essa exploração do luto e da busca pela identidade é bem interessante, e a verdade é que Kristen Stewart, sempre muito criticada, mostra que consegue oferecer uma boa performance. Assayas é um cineasta talentoso, que sabe construir boas cenas e gosta de subverter os filmes de gênero. Aqui, reveste o filme de um tom sobrenatural – trata-se, no fim, de uma história de fantasmas, seja na conotação literal ou figurada. Mas se perde à medida que o tempo avança, com sustos com ar de truque para desconcertar o espectador. O final apaga um pouco quaisquer boas impressões que tenham vindo antes. Daí as vaias.

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