Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Filme com Adam Driver é aplaudido no Festival de Cannes

'Paterson', de Jim Jarmusch, mostra a vida comum de um motorista de ônibus e poeta, vivido pelo ator de 'Star Wars'

Os dois primeiros longas-metragens americanos em competição no 69ª Festival de Cannes contam com algumas coisas em comum. Ambos retêm uma calma mesmo nos momentos mais difíceis, preferem o tom moderado e trazem em seu título o sobrenome do seu protagonista.

Paterson, 13º longa de Jim Jarmusch, é sobre as coisas simples da vida. O personagem principal, Paterson (Adam Driver, de Girls e Star Wars: O Despertar da Força), mora na cidade de Paterson, Nova Jérsei. Sua vida lembra um pouco a música de Chico Buarque: “Todo dia ele faz tudo sempre igual”. Acorda por volta das seis da manhã, dá um beijo na mulher Laura (a iraniana Golshifteh Farahani, de Procurando Elly), come seus cereais, sai para o trabalho carregando a marmita. Paterson é motorista de ônibus.

Ele testemunha trechos de conversas dos passageiros, pedaços do dia dos outros. Na hora do almoço, escreve poesia. Elas invadem a tela ao serem recitadas sem afetação por Driver. Na volta do expediente, Paterson sai para passear com o cachorro e para no bar para uma cerveja, onde também presencia partes de discussões e de relacionamentos. Laura não trabalha fora, mas é cheia de ideias artísticas: redecora a casa com padrões em preto e branco, faz fornadas de cupcakes, aprende a tocar violão. O filme, bastante aplaudido na sessão de imprensa, carrega um bom humor na aceitação de que a vida às vezes é patética mesmo, e está bom assim. Em sua discrição, encanta.

Leia também:

Cineastas mulheres mostram sua força em Cannes

Julia Roberts sobe o tapete vermelho de Cannes descalça

As famosas que brilharam no tapete vermelho de Cannes

Em Cannes, George Clooney critica Trump e a televisão

Exibido na manhã desta segunda-feira (16), Loving, de Jeff Nichols, baseia-se na história real de Richard Perry Loving e Mildred Delores Jeter, presos na década de 1950 por se casarem – os casamentos inter-raciais eram proibidos no Estado da Virgínia na época. Richard, interpretado por Joel Edgerton, era branco, enquanto Mildred (a etíope criada na Irlanda Ruth Negga) era descendente de índios e negros. Em 1958, ela fica grávida, e os dois se casam. Logo em seguida, são presos. Depois de saírem com fiança, resolvem se mudar para Washington DC. Mas Mildred não está feliz de morar na cidade grande com seus filhos e quer voltar para o interior.

O caso, complicado e cheio de reviravoltas, acabou sendo julgado em 1967 pela Suprema Corte. Apesar do tema explosivo, que reverbera a luta pelos direitos civis nos dias de hoje, Nichols filma tudo com elegância e sem melodrama. Richard e Mildred são pessoas comuns, discretas, não ativistas, mas se viram forçados a lutar por seu amor e pelo direito fundamental de se casarem. É curioso que o diretor, que explorou a paranoia, a violência e o uso de armas em explosivos trabalhos anteriores, como O Abrigo (2011) e Amor Bandido (2012), aqui opta por desdramatizar o conflito. É um filme interessante, rodado pelo jovem cineasta de 37 anos com o talento de sempre e com atuações sólidas, com destaque para Ruth Negga. É de imaginar que tanto por seu assunto quanto pela qualidade Loving tenha chances de entrar na lista dos indicados no próximo ano. Bastante aplaudido na sessão de imprensa, também tem boas chances na disputa pela Palma de Ouro.

Member of The Internet Defense League