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Entrevista: ‘Game of Thrones é imprevisível’, diz intérprete de Sir Davos

Liam Cunningham e Carice Van Houten (Melisandre) analisam seus personagens na nova fase da série de fantasia

A morte de Stannis Baratheon (Stephen Dillane), no fim da quinta temporada de Game of Thrones, foi um choque para os fãs, especialmente os que acompanham a saga na literatura, onde ele continua bem vivo – por enquanto. Para além dos espectadores, a baixa no elenco foi sentida especialmente por Liam Cunningham e Carice Van Houten, intérpretes de Sir Davos e Melisandre, respectivamente.

Os dois ajudantes do aspirante a rei de Westeros ficaram sem um líder para conduzi-los… por pouco tempo. Para superar o vazio, os personagens, antes inimigos e agora aliados, foram promovidos ao núcleo de Jon Snow (Kit Harington), que saiu do mundo dos mortos para retornar aos vivos graças à dupla. “Game of Thrones é imprevisível”, diz Cunningham sobre a virada na vida de Sir Davos. “A sensação é que todo mundo vai morrer”, completa Carice (uma previsão do futuro?).

Sir Davos e Melisandre estão em um novo núcleo na sexta temporada. Como foi essa mudança?

Liam Cunningham: É interessante porque o início da sexta temporada começa com o Jon no chão. O primeiro episódio parte daí: o Fantasma começa a uivar e corta para mim. A última vez que eu tinha sido visto foi recebendo a notícia da morte da Shireen. Eu estou sozinho, escuto o lobo, saio e o encontro. Nós o levamos para dentro e não sabemos o que fazer… é um pânico total. À medida que avançamos, eu vou visitar a Melisandre, que está enfrentando os seus próprios demônios porque seu mundo foi abalado com a morte da Shireen e do Stannis. As nossas razões para viver e fazer o que fizemos desapareceram.

Carice Van Houten: E isso é completamente novo para a Melisandre, porque os seus poderes podem não ser tão bons quanto ela imaginava que fossem. Nunca se tinha visto nenhuma vulnerabilidade, dúvida, nem nada desse tipo nela. Para mim, como atriz, foi genial, porque eu finalmente pude mostrar um lado diferente dela depois de construir aquela aura de autoconfiança.A Melisandre é quase um personagem diferente este ano. Ela tem questionado sua fé no Senhor da Luz, o Stannis está morto, Jon Snow estava morto.

Como vocês analisam Game of Thrones?

Cunningham: Tem uma frase de algumas temporadas atrás, eu acho que foi dita pelo Tyrion: ‘Se você acha que haverá um final feliz, você não prestou atenção’. Eu acho que de um jeito estranho é praticamente a filosofia da série. Existe uma imprevisibilidade. É muito parecido com a vida. Eu acho que esse é um dos motivos pelos quais o público gosta da série, porque não está tudo amarrado. Você não senta no sofá para ver uma história em que os bonzinhos fazem o bem e a mocinha será salva. Game of Thrones é imprevisível.

Carice: A sensação é que todo mundo vai morrer.

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Agora que a série não está mais baseada nos livros, como se sentiram quando receberam os roteiros da sexta temporada?

Carice: Para nós dois não fez diferença. Nunca lemos os livros, então todos os anos era tudo novo.

Cunningham: Mas para quem leu os livros e viu a série haverá uma grande diferença e, também, é claro, será muito diferente para os produtores da série, porque não têm mais a segurança da adaptação. Eles estiveram com o George R.R. Martin (o autor dos livros), e ele desenvolveu o fim da história. Mas eles tinham uma folha em branco em vez de “O que seria bom extrair disso?” ou “Para onde podemos levar esse personagem?”. Este ano eles começaram do zero, não com meio caminho andado.

A ressurreição de Jon Snow foi o momento mais comentado de toda a série e vocês estavam diretamente ligados a esta cena. Como foi o processo?

Cunningham: Nos primeiros roteiros era muito confuso. À medida que eu ia lendo eu me perguntava: “Quem são essas pessoas?”. Que loucura é essa?

Carice: Foi engraçado o sistema de segurança em torno de tudo isso. Tivemos que proteger os nossos e-mails. Não podia simplesmente pegar minha cópia do roteiro, tinha que assinar antes. Não tínhamos nem a escala de gravação.

A Melisandre também foi foco de outra estranha revelação desta temporada.

Carice: Sim, eu me transformei em uma senhora bem velha. Tem a ver com o colar. A maquiagem para chegar naquele resultado levou seis horas. Fiquei com a aparência de 200 ou 300 anos – vocês têm que checar com os autores. Para mim, tenho 250. Mal consegui me reconhecer.

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