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‘Em Cannes, você se prepara para tudo’, diz diretor vaiado

Francês Olivier Assayas, que teve seu 'Personal Shopper' vaiado na sessão de imprensa, participou de coletiva ao lado de Kristen Stewart

Por Mariane Morisawa, de Cannes - 17 maio 2016, 12h05

Olivier Assayas, diretor de Personal Shopper, longa com Kristen Stewart que foi vaiado na sessão de imprensa na noite desta segunda-feira, comparou a experiência de exibir um filme em Cannes com um parto. “Cada filme tem sua própria vida. O empolgante de Cannes é que ninguém tinha visto o filme até ontem. Agora, parece que o mundo inteiro viu. É um momento intenso e poderoso. Acho que deve ser parecido com dar à luz. Quando você vem a Cannes, se prepara para tudo, porque tudo pode acontecer.” O cineasta também comentou a falta de entendimento sobre o final do seu filme – e explicou o que acontece, para quem ficou em dúvida.

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Kristen Stewart interpreta Maureen, personal shopper de uma celebridade. Em crise de identidade, infeliz no trabalho, espera um sinal do irmão gêmeo Lewis, que morreu há pouco tempo e era médium como ela. “Sou agnóstica em relação a isso”, disse a atriz. “Mas sou sensível a energias, acredito que sou levada por algo que não posso definir. Isso me dá a sensação de que não estamos tão sozinhos. Agora, se credito em fantasmas? Não sei… Acho que acredito em algo. Sei que não é uma resposta boa.” Entre fantasmas e vampiros, ela disse que prefere os primeiros.

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A atriz também comentou a relação entre a personagem que faz e sua própria vida de celebridade, onde recorre a serviços como os prestados por Maureen. “Ela é tão capaz, incrivelmente tátil e física. Na minha vida, eu sinto às vezes que meus membros foram cortados.” Kristen contou que leu o roteiro apenas uma vez e depois tentou descobrir tudo no dia-a-dia da filmagem. Ficou surpresa como o filme ficou aterrorizante. “Mas a natureza da vida é assustadora. Por exemplo, agora não posso sair daqui, e isso me dá medo.” As cenas de nudez foram tranquilas para ela. “Não tive medo. Era preciso ter versões extremas da minha personagem, muito presa à racionalidade, à análise. É um filme sobre se encontrar. Eu queria estar completamente presente, nua. A melhor maneira era me despir de tudo e realmente me revelar.”

Ela ainda falou sobre sua relação com Assayas, com quem trabalha pela segunda vez – ela ganhou o César, o Oscar francês, por Acima das Nuvens. “Não falamos muito. Ele não responde minhas perguntas”, contou, rindo. “Mas há uma comunicação inegável. E uma chama que ele acende debaixo do meu traseiro que é algo que nunca senti. Sempre tento navegar pela minha carreira pelo sentimento, e eu sinto o Olivier. Com ele, me vejo criando junto, em vez de apenas satisfazer a vontade de alguém.”

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