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Cate Blanchett encara o lado ingrato do jornalismo investigativo em ‘Conspiração e Poder’

Filme narra os bastidores da reportagem que quase custou a reeleição de George W. Bush

O jornalismo investigativo voltou a ganhar destaque nos cinemas ao ser retratado em Spotlight – Segredos Revelados, eleito o melhor filme do ano pela Academia de Hollywood no Oscar. Assim, é quase impossível assistir a Conspiração e Poder, que estreia nesta quinta-feira no Brasil, sem pensar na premiada produção dirigida por Tom McCarthy. O novo longa, protagonizado por Cate Blanchett, também conta a história real de uma equipe de repórteres que decidem investigar um escândalo – no caso, um que envolve o ex-presidente americano George W. Bush. Existe uma importante diferença entre as duas tramas: Spotlight enaltece essa vertente jornalística e narra um caso de sucesso, enquanto Conspiração e Poder apresenta ao público o lado inglório e vulnerável da profissão.

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No filme, Cate Blanchett interpreta Mary Mapes, produtora do programa 60 Minutes, da emissora americana CBS News. Junto com os jovens jornalistas Mike Smith (Topher Grace) e Lucy Scott (Elisabeth Moss), ela é responsável por todo o trabalho de bastidores da reportagem, ou seja, ir atrás de fatos, provas e fontes. Mas quem aparece diante das câmeras realizando as entrevistas é o veterano Dan Rather, interpretado por Robert Redfort, que também é o âncora da atração. Alguns meses antes reeleição do então presidente americano, George W. Bush, em 2004, a equipe buscava evidências sobre um escândalo envolvendo o republicano. Eles tentavam provar que, nos anos 1970, o político havia sido indicado à Força Aérea Nacional do Texas, mas não cumpriu o serviço por lá, para, assim, se livrar da Guerra do Vietnã.


Pressionados pelo prazo de entrega da reportagem, os jornalistas iniciam uma corrida contra o tempo para buscar fontes e provas da acusação, deixando pequenos detalhes passarem desapercebidos. O impacto da reportagem, exibida em rede nacional, é enorme, especialmente por se tratar do presidente dos Estados Unidos. Mas há uma reviravolta: a veracidade de alguns dos documentos apresentados passa a ser questionada pelo público e pela própria imprensa americana. E, assim, os jornalistas – e não mais George W. Bush – se tornam a manchete de diversos veículos de comunicação. Com dificuldade de comprovar a história, Mary vê ameaçada não só a sua carreira e a de seus colegas, mas também o posto de âncora de Dan Rather, a reputação da CBS News e a tranquilidade de suas fontes.

O longa marca a estreia como diretor de James Vanderbilt, roteirista de filmes como O Espetacular Homem Aranha (2012) e O Ataque (2013). A trama envolve um número grande de informações, nomes e datas, mas talvez a experiência de Vanderbilt com roteiro tenha ajudado a tornar o tema mais acessível ao público.

Conspiração e Poder se assemelha a Spotlight ​ao reforçar a importância do jornalismo investigativo para a sociedade – “Se você não fizer as perguntas, os americanos é quem saem perdendo”, diz Dan Rather para o iniciante Mike Smith em determinado momento. Além disso, o filme ressalta o valor do trabalho daqueles que atuam nos bastidores da notícia, em especial na televisão. A trama, porém, aborda um só ponto de vista, que é o de Mary Mapes – autora do livro Truth and Duty, que inspirou a produção. A protagonista é tratada como heroína, uma profissional incansável, que troca horas de sono e a convivência com marido e filho pelo trabalho. No entanto, a produtora comete falhas e lida com as consequências. Isso mostra que não é apenas de boas intenções que vive o jornalismo investigativo.

‘Todos os Homens do Presidente’ (1976)

O clássico dos clássicos do jornalismo investigativo no cinema, dirigido por Alan J. Pakula, mostra o trabalho dos repórteres Bob Woodward (Robert Redford) e Carl Bernstein (Dustin Hoffman) na revelação dos detalhes do caso Watergate, que terminou com a renúncia do presidente Richard Nixon. 

‘O Custo da Coragem’ (2003)

Joel Schumacher dirige esta produção sobre a história real e trágica da repórter do jornal Sunday Independent Veronica Guerin (Cate Blanchett). Ela mergulhou no universo do tráfico de drogas em Dublin, que ameaçava a juventude de famílias trabalhadoras da cidade.  

‘Zodíaco’ (2007)

No filme de David Fincher, o repórter Paul Avery (Robert Downey Jr.) e o cartunista do jornal San Francisco Chronicle Robert Graysmith (Jake Gyllenhaal), transformado em investigador, tentam desvendar o caso do serial killer que aterrorizou a cidade nas décadas de 1960 e 1970. 

‘Intrigas de Estado’ (2009)

Nesta trama ficcional de Kevin Macdonald, Russell Crowe é o repórter Cal McAffrey, que, apoiado pela jornalista Della Frye (Rachel McAdams) e a editora Cameron Lynne (Helen Mirren), investiga a morte suspeita da amante de um membro do Congresso (Ben Affleck) e uma empresa privada com atuação polêmica.

‘O Mensageiro’ (2014)

O filme acompanha parte da vida do jornalista Gary Webb (vivido por Jeremy Renner), que em 1996 descobriu o envolvimento da CIA com os Contras da Nicarágua e o tráfico de cocaína, que defenestrou uma epidemia da droga nos Estados Unidos na década de 1980. Webb decide publicar a história e se torna alvo da agência de segurança, que lança uma campanha de difamação contra o jornalista e o seu jornal, o pequeno San Jose Mercury-News.

‘Conspiração e Poder’ (2015)

Roteirista de Zodíaco, James Vanderbilt estreou na direção com este longa ainda inédito no Brasil. Robert Redford é o apresentador Dan Rather, e Cate Blanchett vive Mary Mapes, produtora do programa 60 Minutos, em 2004. Os dois fazem uma controversa reportagem sobre os buracos no serviço militar do então presidente George W. Bush. 

‘Spotlight – Segredos Revelados’ (2015)

O filme acompanha a equipe do setor Spotlight, formada por quatro jornalistas que trabalham em um esquema sigiloso, com a tarefa de investigar casos cabeludos, com o tempo que for necessário, para o jornal americano The Boston Globe. Eles começam a analisar o caso de um padre que teria molestado mais de 80 meninos entre os anos 1970 e 80. Ao longo da apuração, a equipe descobre que o caso aparentemente isolado se revela uma indústria, com centenas de vítimas e cerca de 90 padres envolvidos, apenas em Boston.

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