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‘A Regra do Jogo’ foi novela acima da média, mas decepcionou

Novela de João Emanuel Carneiro sofreu com tramas paralelas ruins e furos de roteiro

A Regra do Jogo terminou nesta sexta-feira após muita expectativa, construída antes mesmo de a novela estrear, no final de agosto. Primeira novela de João Emanuel Carneiro desde o fenômeno Avenida Brasil (2012), a trama que teria no centro os ótimos Alexandre Nero, Giovanna Antonelli e Vanessa Giácomo, além de uma facção criminosa barra pesada, prometia finalmente levantar o horário das nove da Globo, que havia ficado com a terrível marca – de baixa qualidade e baixa audiência – deixada por Babilônia. O folhetim, apesar de ter um bom enredo central, se atrapalhou em seu desenrolar e acabou como uma novela acima da média dos últimos anos nessa faixa horária, mas ainda um tanto decepcionante.

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Neste último capítulo, Romero (Alexandre Nero) não atirou em Juliano (Cauã Reymond), como Zé Maria (Tony Ramos) queria. Depois de uma sequência com muita enrolação, armas apontadas para todos os lados e a revelação de que Zé havia matado Djanira (Cássia Kis Magro), o protagonista acabou morto por um tiro do novo Pai da facção, que, por sua vez, foi baleado por Atena (Giovanna Antonelli). Zé Maria foi preso e Dante (Marco Pigossi) finalmente conseguiu viver em paz após ver seu grande inimigo atrás das grades.

Tóia (Vanessa Giácomo) se viu livre da prisão, como era o esperado, e se reencontrou com Juliano, formando uma família feliz e típica de final de novela, com três filhos – um deles de Romero, é bom lembrar. Juntos, eles inauguraram o hospital infantil no Morro da Macaca, que levou o nome de Romero Rômulo, acredite se quiser.

No Morro, Adisabeba se casou com Feliciano (Marcos Caruso) e formou com ele uma grande família – com direito a MC Merlô (Juliano Cazarré) aparecendo com nada menos do que doze mulheres e filhos. Ainda na favela, o casal mais sem sentido de todos os tempos, Domingas (Maeve Jinkings) e César (Carmo Dalla Vecchia), teve seu primeiro filho e ficou sabendo que o marido abusivo da mulher, Juca (Osvaldo Mil), havia sido preso.

O mistério de quem matou o Pai, Gibson (José de Abreu), foi revelado, mas apenas depois de duas passagens de tempo na trama e vários blocos da novela. Belisa (Bruna Linzmeyer) pressionou Nora (Renata Sorrah), Nelita (Bárbara Paz) e Kiki (Deborah Evelyn) afirmando que havia visto as três no local do crime. Kiki, então, confessou ter matado o pai e Nora completou dizendo que limpou as impressões digitais da filha da arma antes de a polícia chegar.

O capítulo teve quase duas horas de duração, mas boa parte desse tempo foi empregada resolvendo as várias tramas paralelas que quase não fizeram diferença ao longo da novela. Foi esse, aliás, um dos grandes problemas de A Regra do Jogo: a inabilidade do autor de enxugar o número de núcleos ou então de fazer com que eles fossem coerentes e interessantes. Já a trama central, da facção, era uma boa ideia, mas tinha vários furos de roteiro e mostrava uma organização criminosa ineficiente, quase cômica.

A última cena foi protagonizada pela melhor dupla da novela, o que quase salvou o capítulo, quase. Atena e Ascânio (Tonico Pereira) fugiram para a Itália, onde ela fundou uma instituição de caridade – só para roubar o dinheiro das doações. O amor que a loira sentia por Romero, porém, não morreu junto com o protagonista: além de fazer doações para o hospital infantil que levou o nome do amado, ela também apareceu chamando pelo “Romerinho”, o filho que teve com o ongueiro.

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