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Polícia Militar começa a atuar na USP

Trabalho com policiais comunitários começou nesta quarta-feira (9) no campus Butantã. A presença da PM foi acelerada depois que um estudante de Letras foi baleado em tentativa de assalto

O novo policiamento comunitário na Universidade de São Paulo (USP) teve início nesta quarta-feira (9), com o campus vazio. Uma base móvel foi instalada perto de uma das entradas da Cidade Universitária e 34 policiais militares estão encarregados do patrulhamento da área. Contudo, as aulas estão suspensas nas faculdades até a sexta-feira (11) pela “Semana da Pátria”.

A presença da Polícia Militar foi anunciada na última semana pelo secretário estadual de Segurança Pública, Alexandre de Moraes, após um estudante ser baleado pelas costas no campus, na última terça-feira (1). Na manhã do dia seguinte, o secretário se reuniu com o reitor da USP, Marco Antonio Zago, para tratar da segurança na universidade e da nova forma de policiamento.

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O modelo do novo policiamento, que vai atuar exclusivamente no campus Butantã, é inspirado no método japonês Koban e deve receber sugestões da comunidade acadêmica. A ideia é que haja uma aproximação da equipe com os alunos, professores e funcionários da universidade. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, o número de policiais militares será ampliado para 42 nas próximas semanas, quando termina a preparação dos agentes.

“A base do policiamento é a relação com comunidade”, disse o secretário. “Não há nada relacionado com a Polícia Militar de antes, na época da ditadura, como alguns querem comparar. Ela vai servir para proteger.”

Os policiais serão voluntários, com formação universitária e idade até 26 anos, semelhante a dos estudantes. Eles também usarão um fardamento diferente e não haverá rotatividade entre os agentes que atuam na USP. “Os policiais e a GCM passarão por um curso de treinamento comum. Também será oferecido para as alunas um curso de treinamento defensivo contra assédios”, afirmou o secretário.

A estudante Lina Rada, que faz pós-graduação em microbiologia, aprovou o policiamento. “Eu gosto por causa da segurança”, disse a jovem, de 29 anos, que admitiu se sentir insegura no campus. “Durante o dia, não. Mas, no fim da tarde e à noite, eu achava inseguro sair da USP, inclusive pelas saídas de pedestre. Você já ouviu tantos relatos de assalto, de arrastão, que fica com medo”, comentou.

Apesar de acreditar que a entrada da PM no campus era “inevitável”, Lígia Simões, que faz graduação em história, defende que outras medidas poderiam ter sido tomadas antes ou em conjunto com a ação policial. “Antes de chegar a isso, a gente precisava de coisas tão mais básicas, como a questão da iluminação. Até hoje é um problema que só quem pega ônibus sabe, principalmente à noite”, afirmou a estudante, de 24 anos.

Conselho de Segurança – O convênio firmado entre a USP e a Secretaria na terça-feira (8), também prevê a criação do Conselho de Segurança (Conseg) dentro da USP. Professores, alunos e funcionários devem indicar representantes para o conselho, que terá reuniões mensais. Uma das primeiras discussões será sobre horário de fechamento e abertura de portões da universidade.

(Da redação)

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