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Mulheres são maioria entre os doutores brasileiros formados no exterior

De acordo com estudo do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), 14.173 brasileiros concluíram doutorado fora do país entre 1970 e 2014. Nos últimos quatro anos, a porcentagem de mulheres com o título passou de 41% para 60%

A maioria dos brasileiros que concluíram doutorado no exterior nos últimos quatro anos é mulher, mas ainda há menos inserção no mercado de trabalho e salários menores do que os homens, segundo levantamento do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), organização social ligada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

De acordo com o estudo, 14.173 brasileiros obtiveram título de doutor fora do país entre 1970 e 2014. Desse total, 8.357 (59%) são homens e 5.786 (41%), mulheres. A partir de 2012, porém, o público feminino passou a ser maioria, chegando a 60% do total em 2014.

“A reversão pode estar associada a um conjunto de fatores sociais e econômicos bem conhecidos no país, como a crescente independência da mulher na sociedade, a transformação do papel feminino e a participação ativa no mercado de trabalho”, diz o relatório, cuja íntegra deverá ser apresentada nesta terça-feira em Brasília.

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Título no exterior – O levantamento mostra que estudar no exterior é um bom investimento, tanto para homens quanto para mulheres. O salário médio dos doutores com titulação no exterior é de 17.300 reais – o dos doutores em geral é de 13.800 reais. Os salários das mulheres, porém, são em média 20% menores – diferença menor do que a verificada no mercado de trabalho em geral (em torno de 25%), mas ainda significativa. A taxa de emprego formal entre as mulheres também foi menor do que entre os homens em todos os anos do período.

A média de doutores formados no exterior desde 1970 foi de 315 por ano, com altos e baixos ao longo do período. Houve uma queda expressiva entre 1995 e 2001 – reflexo de uma mudança estratégica, no sentido de favorecer a formação de doutores dentro do país. Os números voltaram a crescer a partir de 2001 e aumentaram ainda mais a partir de 2007 impulsionados pelo crescimento econômico e pelo lançamento do programa Ciência sem Fronteiras.

Os países que mais formaram doutores brasileiros foram Estados Unidos (3.710), seguidos por França (2.305), Grã-Bretanha (2.067), Espanha (1.520) e Alemanha (947).

A base para o estudo foi a plataforma de currículos Lattes, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Falta apoio – Em 1981, recém-graduada em arquitetura e urbanismo, Leda Maria Vieira Machado, que se formou no fim da década de 1970, sentiu na pele o que era ser minoria quando foi uma das 14 alunas de um curso de pós-graduação em Desenvolvimento Urbano da University of London, na Inglaterra. “Havia gente do mundo inteiro e eu era a única mulher, e a mais nova”, conta ela, hoje com 57 anos.

“Fui muito bem e me convidaram para fazer mestrado”, diz ela. O mestrado foi em economia. Na sequência veio o doutorado em sociologia. Em 1991, Leda decidiu voltar. “No fundo, sentia uma obrigação social com o Brasil. Quem pagou meus estudos foram os brasileiros, com impostos”, diz ela, que foi bolsista. Em 1998, ainda fez um pós-doutorado na Espanha.

Leda diz não acreditar que ter se pós-graduado no exterior tenha facilitado sua inserção no mercado de trabalho. “Na verdade, você volta ao país sem nenhum apoio”, afirma. Ela trabalhou em empresas públicas, foi comissionada na Universidade de São Paulo (USP) e dirigiu Departamentos de Recursos Humanos de diversas multinacionais. Desde 2011, tem uma empresa própria de consultoria.

(Com Estadão Conteúdo)

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