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Tribunal japonês nega pedido de liberdade para Carlos Ghosn

De acordo com o juiz, existe o risco de fuga do acusado e a possibilidade de alteração de provas

Um tribunal de Tóquio negou nesta quarta-feira, 9, o pedido para soltar Carlos Ghosn, ex-presidente da Nissan e da Renault. Ghosn está preso em Tóquio desde 19 de novembro sob suspeita de informar ao Fisco japonês ganhos inferiores aos realmente obtidos. 

A decisão acontece um dia após o primeiro depoimento do executivo perante a Justiça japonesa. A sentença se baseou no risco de fuga do acusado e da possibilidade de adulteração de provas. “O pedido para anular a detenção foi rejeitado em 9 de janeiro”, anunciou o tribunal de Tóquio.

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Carlos Ghosn, ex-presidente da Nissan, presta depoimento em corte de Tóquio, no Japão – 08/01/2019

Carlos Ghosn, ex-presidente da Nissan, presta depoimento em corte de Tóquio, no Japão – 08/01/2019 (/)

Motonari Otsuru, advogado de Ghosn, afirma que seu cliente pode ficar detido até o julgamento, o que pode acontecer dentro de alguns meses.

Em seu primeiro depoimento desde que foi detido por suspeita de fraude financeira, o magnata do setor automotivo, afirmou que agiu com “honra, legalmente e com o conhecimento e a aprovação dos diretores da Nissan” e foi “acusado falsamente e detido de maneira injusta”.

As acusações contra o empresário

No dia 10 de dezembro, o empresário franco-brasileiro-libanês foi acusado de sonegar 5 bilhões de ienes (170 milhões de reais) em imposto de renda entre 2010 e 2015. Ghosn também é suspeito de sonegação de renda entre 2015 e 2018, de abuso de confiança, assim como de desviar dinheiro de uma conta da Nissan para um amigo saudita.

Ghosn presidia a aliança Nissan-Mitsubishi Motors-Renault. Após o escândalo de fraude fiscal, foi destituído da presidência das duas fabricantes japonesas, mas a Renault decidiu mantê-lo em seu cargo, uma situação que provocou uma crise na aliança entre as montadoras.

A promotoria de Tóquio pode decidir na sexta-feira processar o CEO pela segunda vez por quebra de confiança (o motivo de sua atual detenção) e, neste caso, teria início um outro período de prisão preventiva.

A Promotoria também pode processá-lo por ter participado da redução de honorários, de 2015 a 2018. O Ministério Público igualmente pode decidir infligir um quarto motivo para a detenção e devolvê-lo à prisão preventiva por 48 horas, renovável, desta vez, duas vezes por dez dias, mas na condição de que o tribunal aprove.

Se não houver novos processos, Ghosn terá mais chances de ser libertado, pois seu ex-braço direito Greg Kelly, processado na mesma data, em 10 de dezembro, foi libertado sob fiança no dia 25 daquele mês.

 

(Com AFP)

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