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Título ‘Co-Co’ já ajudou muito os bancos europeus. Agora, virou um grande problema

Papéis que ajudaram a resgatar o sistema bancário na crise de 2008 hoje valem menos do que quando foram emitidos - e quem investiu não sabe se terá seu dinheiro de volta

Fraqueza da economia global, desaceleração da China, desvalorização do petróleo e outros fatores têm afetado pesadamente as ações de bancos em todo o mundo, especialmente na Europa. No mercado europeu, a esse cenário negativo soma-se um fator de apelido curioso e potencial nocivo: os títulos “Co-Co”.

Esses papéis, formalmente chamados de “obrigações contingentes conversíveis” (o apelido vem do original em inglês, contingent convertible), foram desenhados como instrumentos para ajudar o setor bancário a melhorar sua habilidade de suportar choques e absorver perdas. Os títulos são perpétuos, o que significa que eles não têm uma data de vencimento estabelecida. O papel “amadurece” quando o banco exerce uma opção, o que geralmente acontece após cinco anos.

Com a atual crise bancária, os investidores estão preocupados com a forma como esses papéis, emitidos por bancos como Deutsche, Santander e UniCredit, serão tratados no futuro. Os títulos Co-Co do Deutsche Bank, por exemplo, que somam 1,75 bilhão de euros, foram negociados na semana passada por menos de 75 centavos de euro – seu menor valor já registrado. Só neste ano, a desvalorização chega a quase 20%.

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Outros títulos Co-Co de bancos europeus desceram a valores mínimos na última semana: os do espanhol Santander desceram a 85 centavos de euro e os do italiano UniCredit, a 76,3 centavos de euro. Essa desvalorização alimentou o receio dos investidores, que agora temem não ter de volta sequer o investimento inicial, segundo reportagem do Financial Times.

Esses títulos têm suas raízes na crise financeira de 2008, quando os governos de vários países foram forçados a salvar seus bancos para evitar um colapso generalizado. O fato de a insolvência dos grandes bancos representar risco para o sistema bancário global fez com que governos e bancos centrais salvassem essas instituições com recursos dos contribuintes. Naquele momento, foi uma solução emergencial – e, no geral, bem-sucedida. Agora que os investidores temem não ser remunerados, a boa vontade com os papéis já não é a mesma.

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(Da redação)

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