Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Para empresários, mudança na Presidência pode dar novo fôlego ao país

Presidente da Associação Paulista dos Empresários de Obras Públicas espera que Temer tenha se preparado para fazer o que tem de ser feito de forma rápida

Empresários e representantes das principais entidades da classe no país acreditam que a aprovação do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados poderá dar um novo fôlego ao país, se um eventual novo governo se dispuser a colocar em prática as reformas trabalhistas e tributárias, sobretudo.

Para Pedro Wongtschowski, presidente do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), se o vice-presidente Michel Temer (PMDB) realmente se comprometer a colocar em prática as propostas do programa “Uma Ponte para o Futuro”, haverá uma renovação de esperança para o Brasil, que deverá ser reconstruído lentamente. “O Estado parou de funcionar. É preciso, agora, rever os programas e promover o ajuste fiscal.”

Em nota, o presidente do Itaú Unibanco Roberto Setubal reforçou a importância de se refazer a confiança no mercado. “Espero que o país encontre seu caminho num ambiente democrático e de amplo entendimento, que será essencial para restabelecer a confiança nos agentes econômicos, base para tirar o país da recessão e retomar o crescimento econômico.”

Reformas – José Velloso, presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), diz que a mudança poderá ser positiva para a retomada do investimento e do emprego. “Passada (a aprovação) do impeachment (pelo Senado), o novo governo tem de priorizar três importantes pontos: reformas tributária, trabalhista e política. Sem as reformas trabalhista e tributária, haverá alto risco de gerar novos empregos no Brasil.”

Na avaliação de Carlo Bottarelli, presidente da Triunfo Participações e Investimentos (TPI), empresa que detém a concessão de ativos de infraestrutura, a situação daqui para a frente não será fácil. Mas, pelo menos, o país terá condições de aprovar medidas necessárias para a retomada do crescimento. “Não saímos do problema, mas o viés mudou. Agora, temos condições de aprovar alguma coisa”, afirma o executivo. Segundo ele, no entanto, o caminho da recuperação será longo e doloroso.

O presidente da Associação Paulista dos Empresários de Obras Públicas (Apeop), Luciano Amadio, espera que Michel Temer tenha se preparado para fazer o que tem de ser feito de forma rápida, se não ele também sofrerá pressão. “Não é uma tarefa fácil, tem de cortar gastos, resolver a questão dos Estados e arrumar dinheiro para investir”, disse. “Vamos esperar que algo novo aconteça e que o país consiga reagir.”

Retomada – Em coletiva de imprensa, o presidente da Fiesp e do Ciesp, Paulo Skaf, disse esperar que o término do processo de impeachment ocorra o mais rapidamente possível, o que permitiria a retomada da confiança. “Com isso, a roda da economia volta a andar, gerando empregos, desenvolvimento, investimentos.” Skaf reforçou que o processo tem acontecido dentro das determinações constitucionais, passo a passo, e não pode ser chamado de golpe.

Para o presidente da Associação de Lojistas de Shopping do Brasil (Alshop), Nabil Sahyoun, é importante que o país se una pela retomada da economia. “Temos de fazer uma transição tranquila, em um momento em que o poder aquisitivo da população está muito menor, a inflação está alta e a inadimplência avança.” Sahyoun defendeu ainda que um novo ministério seja formado por especialistas, e não por escolhas políticas, e que as medidas a serem adotadas sejam discutidas com o empresariado.

Leia também:

Mercado piora previsão para o PIB de 2016 pela décima terceira vez consecutiva

Nem Lava Jato, nem piora da economia: ‘pedaladas fiscais’ é que podem levar ao impeachment

(Com Estadão Conteúdo)

Member of The Internet Defense League