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ONG acusa redes de fast-food de negligenciarem bem-estar de frangos

Confinamento em pequenos espaços e processo de engorda causam problemas psicológicos e físicos às aves, segundo a ONG

A ONG Proteção Animal Mundial divulgou nesta semana o relatório global Botando Ordem no Galinheiro 2018, que denuncia o que a entidade chama de negligência de oito grandes redes de fast-food com o bem-estar dos frangos usados nos produtos vendidos em seus restaurantes. Sete delas funcionam no Brasil.

Segundo a organização, a intenção do relatório é mostrar como empresas do ramo alimentícios se preocupam com o bem-estar dos animais. Foram analisadas oito redes de fast-food: Burger King, Domino’s, KFC, McDonald’s, Pizza Hut, Starbucks e Subway. A cadeia sul-africana de restaurantes Nando´s, também citada no documento, não está presente no país.

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Essas redes foram analisadas em três áreas específicas: o nível de prioridade que a empresa dá para o assunto; as metas e objetivos para melhorar nesse aspecto; e seu desempenho. Para isso, a ONG utilizou apenas dados públicos divulgados pelas empresas em 2018 através de relatórios, comunicados oficiais, entre outros.

De acordo com José Rodolfo Ciocca, gerente de agropecuária sustentável da Proteção Animal Mundial, o objetivo é “incentivar as empresas a trabalharem com mais transparência sobre o assunto”.

Ao final, cada rede recebeu uma avaliação entre as seis classificações possíveis, que variam de “deficiente” a “muito bom”. Nenhuma rede recebeu nota melhor que ruim.

Subway, Burger King e Starbucks tiveram nota “ruim”. McDonald’s, KFC e Pizza Hut foram consideradas “muito ruins”. E a rede Domino’s recebeu a classificação “deficiente”, a mais baixa na escala.

Segundo Ciocca, muitas redes tinham estratégias bem delimitadas, mas não as cumpriam. “Em muitos casos, elas não mantinham o mesmo padrão em todos os locais. O cliente acredita que o tratamento com os animais seja o mesmo em qualquer lugar do mundo.”

O relatório afirma que a maioria dos 60 bilhões de frangos produzidos no mundo enfrentam baixos níveis de bem-estar. De acordo com Ciocca, esse modelo causa problemas psicológicos e físicos para os animais. O aprisionamento em gaiolas e a falta de espaço deixa os animais estressados. A alimentação exagerada, com o objetivo de criar animais com coxas e peitos desproporcionais, faz com que muitos frangos fiquem mancos devido ao desequilíbrio corporal causado pelo aumento de peso súbito.

O objetivo é que esse relatório passe a ser feito anualmente, para que as empresas possam monitorar o próprio desempenho ao longo do tempo. “Queremos trabalhar com essas redes para mostrar suas deficiências”, explica Ciocca.

O que dizem as redes de fast-food

O Subway informou que toda carne de frango servida em seus restaurantes vem de aves livres de confinamento em gaiolas, apesar de possuir alimentos com ovos. “Nos comprometemos que até 2025 ou antes, 100% dos ovos utilizados nas fórmulas dos produtos nos restaurantes serão de galinhas não submetidas a confinamento”, diz.

A Multi QSR, que administra as redes KFC e Pizza Hut no Brasil, informou que todos os fornecedores das duas empresas são auditados para a garantia do bem-estar dos animais.

O Starbucks afirma que existe uma “considerável” variação no rigor regulatório em diferentes mercados e explicou que isso ocorre porque “nos casos em que os padrões nacionais não estão em vigor, são mínimos ou não são aplicados de forma consistente”, são utilizados os estabelecidos nos EUA. Além disso, a empresa disse estar comprometida com a meta de não utilizar alimentos vindos de frangos criados em gaiola até 2020. 

O Burger King disse que possui políticas rígidas relacionadas ao bem-estar animal que precisam ser cumpridas para que um fornecedor seja homologado. Em nota, a empresa afirmou o compromisso na escolha de seus parceiros para oferecer respeito e qualidade em toda cadeia produtiva.

As redes McDonald’s e Domino’s não se pronunciaram até a publicação do texto.

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