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Na crise, frota de helicópteros cresce, mas número de voos diminui

Retração econômica diminuiu horas de voo e estimulou avanço de serviço pirata de transporte aéreo

Entre 2015 e 2016, o Brasil vai emendar a primeira sequência de dois anos de retração econômica desde o início da década de 30. A crise é aguda, o que não impediu o aumento da frota do restritíssimo mercado de helicópteros do país.

De 2014 a 2015, a frota de helicópteros cresceu 0,6% no Brasil, passando de 2.176 para 2.191 aeronaves, segundo a Abraphe (Associação Brasileira de Pilotos de Helicóptero). Se o número de aeronaves cresceu, o de voos encolheu: houve 30% menos pousos e decolagens em São Paulo – cidade com a maior frota de helicópteros do mundo – em 2015 em comparação com o registrado no ano anterior. De um ano a outro, o número diário de pousos e decolagens caiu de 2.000 para 1.300, de acordo com a entidade.

O dólar forte tem sido um dos fatores a inibir esse mercado, já que os componentes dos equipamentos são importados. Isso mudou o comportamento de quem compra helicópteros. Cássio Polli, dono da Aérie Aviação Executiva, empresa que trabalha com a compra e a venda de aeronaves, conta que os clientes têm preferido vender seus helicópteros para adquirir cotas com outras pessoas.

“A compra compartilhada permite que a pessoa use o equipamento por algumas horas no mês, mas não arque sozinha com os custos de manutenção”, afirma. Para o empresário, que não trabalha com a venda de cotas, o jeito tem sido mudar o foco para o mercado internacional. “Com o dólar forte, as aeronaves que já estão depreciadas aqui voltam a ser competitivas lá fora”, diz.

E não foi só ele que optou por esse caminho. “Com o custo operacional muito alto, vários proprietários têm optado por vender seus equipamentos e ir para outros países”, diz Ricardo Nogueira, diretor da Associação Brasileira de Aviação Geral (Abag).

Além da crise, a pirataria – O número de voos diminuiu como medida de contenção de custo das empresas. A hora de voo pode custar entre 200 e 2.500 dólares, a depender do tipo de aeronave.

Esse quadro estimulou o aumentos dos chamados “voos piratas”, segundo representantes do setor. Milton Arantes Costa, presidente da Associação Brasileira de Táxi Aéreo e Oficinas de Manutenção (Abtaer), diz que quando o câmbio estava favorável, houve a compra de muitos equipamentos novos – helicópteros que, agora, estão ociosos. Essas aeronaves passaram a ser usadas, irregularmente, como táxi aéreo. “O transporte pirata utiliza equipamentos que não têm qualquer tipo de controle da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil, que regulamenta o setor)”, afirma.

Justamente por não obedecerem as normas de regulamentação, as empresas piratas, conhecidas como “taca”, conseguem oferecer o transporte a preços que chegam a ser 40% mais baixos que o habitual. “Para operar precisamos ter uma estrutura em solo que se assemelha à de companhias aéreas. Como tudo isso encarece o serviço, as piratas levam vantagem”, diz Jorge Bitar Neto, conselheiro da Abtaer e dono da Helimarte, de São Paulo.

Com a diminuição da demanda, as piratas acabam engolindo 70% do mercado, de acordo com a Abtaer. A Helimarte, por exemplo, já chegou a voar quase 500 horas por mês. Hoje, pena para atingir 100 horas de voo no mesmo período. “A hora no nosso helicóptero mais simples, para três passageiros, custa 2.400 reais. Tenho relatos de que no Campo de Marte (aeroporto em São Paulo bastante utilizado por empresas de táxi aéreo) esse mesmo voo está sendo oferecido a 1.300 reais. É desleal”, diz Bitar.

A Associação cobra da Anac medidas para combater a atividade ilegal. A Agência afimra regular e fiscalizar as operações da aviação civil de acordo com padrões internacionais de segurança e de forma contínua. Em resposta sobre as queixas ao site de VEJA, a Anac explica, ainda, que atua para coibir o transporte ilegal “por meio de inspeções programadas de aeronaves e de pilotos nos pátios de estacionamentos dos aeroportos” e pela apuração de denúncias feitas pelos canais de atendimento.

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