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Juro do cartão de crédito atinge recorde de 439% ao ano, diz BC

Entre as principais linhas de crédito, outro destaque foi, novamente, o cheque especial, cuja taxa de juros atingiu 292,3% ao ano, a maior desde 1994

A taxa média cobrada no rotativo do cartão de crédito teve em janeiro mais um aumento e alcançou a marca de 439% ao ano, o maior porcentual entre todas as modalidades de crédito e o maior valor da série histórica, que começou em 2011. Esse tipo de juro vem subindo desde julho de 2014. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira pelo Banco Central (BC). No mês passado, o aumento foi de 8,1 pontos percentuais e, nos últimos doze meses, de 104,9 pontos percentuais.

Ainda segundo o BC, a taxa média de juros no crédito livre subiu de 47,2% ao ano em dezembro para 49,4% ao ano em janeiro. No direcionado, as taxas médias foram a 11%, alta de 1,2 ponto percentual no período. Entre as principais linhas de crédito livre para a pessoa física, o destaque foi, novamente, o cheque especial, cuja taxa avançou de 287,0% ao ano para 292,3% ao ano na mesma comparação. Trata-se do maior patamar desde julho de 1994 (293,9% ao ano), ou seja, em quase 22 anos.

Já a inadimplência no mercado de crédito no país no segmento de recursos livres abriu o ano em leve alta, reflexo das condições apertadas para os consumidores quitarem suas contas em meio ao ambiente econômico de recessão, também marcado por inflação e juros altos. No segmento, no qual as instituições financeiras definem livremente as taxas de juros, a inadimplência atingiu 5,4% em janeiro, contra 5,3% em dezembro.

O spread bancário — diferença entre o custo de captação dos bancos e a taxa que cobram ao consumidor final– foi a 34,1 pontos percentuais no último mês, sobre 32,0 pontos em dezembro, no segmento de recursos livres. No direcionado, a alta foi de 0,9 ponto, a 4,2 pontos em janeiro.

No primeiro mês do ano, ainda segundo o BC, o estoque total de crédito no país caiu 0,6% sobre dezembro, a 3,199 trilhões de reais, ou 53,7% do Produto Interno Bruto (PIB). Para 2016, a expectativa é que o estoque suba 7%, após alta de 6,6% em 2015, a mais modesta da série histórica iniciada em 2007.

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(Com agência Reuters)

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