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Inflação da carne deve ser menor em 2020, diz presidente do Banco Central

Para Campos Neto, ciclo de alta nos preços da proteína 'vai se dissipar rapidamente'

Por Agência O Globo - 28 jan 2020, 14h01

SÃO PAULO — O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, disse nesta terça-feira estar confiante no fim do ciclo de alta no preço da carne. A escalada dos custos das proteínas, motivada pelo aumento das exportações de carne brasileira à China, levou o IPCA, o indicador oficial de inflação no país, a fechar 2019 em 4,31%, acima da meta do BC de 4%.

— Falamos do choque das proteínas no final do ano. De certa forma (a escalada nos preços dessa matéria-prima) havia sido antecipado pelo Banco Central e veio mais rápido e intenso, mas achamos que (o ciclo de alta no preço das proteínas) vai se dissipar rapidamente. Teremos menos efeito disso em 2020 — disse Campos Neto em evento a investidores promovido pelo banco Credit Suisse em São Paulo.

O aumento de exportações brasileiras de carne para a China ocorreu em virtude da epidemia de gripe suína que afetou e dizimou parte do rebanho de suínos no país asiático.

A palestra de Campos Neto foi marcada pelo otimismo com os fundamentos para a economia brasileira neste ano.

Segundo o presidente do BC, pela primeira vez “em muito tempo” a expectativa de crescimento para o PIB brasileiro está maior que a de vizinhos da América Latina, o que demonstra a confiança de investidores na agenda de reformas em curso tanto no governo federal como no Congresso.

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— A velocidade do crescimento (do PIB) está aumentando — disse.

No discurso, Campos Neto reforçou a intenção do BC em tomar medidas para ampliar o mercado de crédito no Brasil, como estímulos ao refinanciamento imobiliário e a recente introdução da modalidade de financiamento da casa própria via IPCA a um juro mais baixo que o tradicional, corrigido pelo indicador TR.

Mais cedo, o ex-presidente do BC e atual presidente do conselho do Credit Suisse Ilan Goldfajn disse que o cenário para a economia brasileira em 2020 é positivo por causa dos efeitos da queda na taxa básica de juros, a Selic.

Segundo Goldfajn, a queda nos juros no Brasil se deve à firmeza da política monetária e deve ser vista como benéfica pelos investidores. É o inverso do que ocorre em boa parte do mundo desenvolvido, em que a queda dos juros — em muitos países já em níveis negativos — está associado com a percepção de investidores de que os Bancos Centrais têm dificuldade em estimular a economia desses países.

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— A queda na taxa de juros no Brasil é muito benéfica porque vem de patamar alto e país está endividado. Aqui ela é uma dádiva porque permite economizar e investir — disse Goldfajn, para quem a manutenção do ciclo de queda depende da persistência da agenda de reformas como administrativa e tributária.

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