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Guedes diz que é preciso desestatizar o crédito no país

Em cerimônia de posse de presidentes de bancos públicos o ministro afirmou que juros para a população são altíssimos e baixos para quem não precisa

Por Da redação - 7 jan 2019, 11h49

O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse, nesta segunda 7, que é preciso desestatizar a concessão de crédito no país, abrindo o mercado para bancos privados. Segundo ele, o mercado de crédito sofreu intervenções danosas para o Brasil.

“O dirigismo econômico corrompeu a política brasileira e travou o crescimento da economia”, afirmou Guedes na posse dos presidentes da Caixa Econômica Federal, do Banco do Brasil e do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). E completou: “O mercado brasileiro de crédito também está estatizado e sofreu intervenções extremamente danosas para o país”.

O ministro também disse: “Quando o BNDES recebe aumento de capital para fazer projetos econômicos estranhos em termos de retorno de capital, do ponto de vista político, de quem é o beneficiado do lado de lá, dando capital para as empresas ‘campeãs nacionais’, nós, economistas liberais, não gostamos disso”.

De acordo com Guedes, medidas serão tomadas após análise das “caixas-pretas” das instituições. “A Caixa foi alvo de saques, fraudes e assaltos ao dinheiro público. Isso ficará óbvio mais à frente, na medida em que essas caixas-pretas forem analisadas.”

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A abertura da ‘caixa-preta do BNDES’ e de outras instituições parece ser uma obsessão do atual governo. O presidente Jair Bolsonaro defendeu em sua campanha a necessidade de checar todos os contratos do banco público de fomento. Em postagem no Twitter, Bolsonaro afirmou hoje que seu governo vai expor esses contratos a partir de agora.

“Com poucos dias de governo, não só a caixa-preta do BNDES, mas de outros órgãos estão sendo levantados e serão divulgados. Muitos contratos foram desfeitos e serão expostos, como o de R$ 44 milhões para criar criptomoeda indígena que foi barrado pela Ministra Damares e outros”, afirmou ele no Twitter.

 

No evento de posse dos presidentes dos bancos públicos, Bolsonaro voltou a tocar no assunto. O presidente afirmou que os contratos dos bancos precisam ser abertos ao público, bem como atos passados. “Não podemos admitir confidencialidade pretérita. Aqueles que foram a essas instituições por serem amigos do rei buscar privilégios, ninguém vai perseguir. Mas esses contratos se tornarão públicos.”

Funcionários do BNDES rechaçam a existência de uma caixa-preta na instituição. Segundo a Associação dos Funcionários do BNDES (AFBNDES), o banco divulga suas operações de forma ampla e transparente, sem paralelo com qualquer outra instituição. “Estão disponíveis no portal institucional informações sobre cliente, valor da operação, projeto apoiado, taxa de juros, prazos e garantias.”

Guedes disse que os recursos públicos têm sido usados regressivamente e afirmou que será missão dos novos presidentes dos bancos estatais impedir isso. “Houve transferência de renda em falcatruas, para alianças políticas, para ajudar amigos do rei, empresários que chegam perto do poder econômico”, continuou.

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Para Guedes, não há problema em subsidiar o crédito para as classes mais pobres, mas não se pode usar isso como desculpa para desvirtuar o funcionamento dessas instituições. “A estatização do crédito reduz os recursos à disposição da economia. Sobra menos para o Brasil com juros absurdos. O juro para o povo brasileiro vai para lua, enquanto há outro juro baratinho. Esse tipo de distorção que os presidentes vão enfrentar”, afirmou.

(Com Estadão Conteúdo)

 

 

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