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Fraqueza da economia global faz nova vítima: os bancos

Ações do setor têm forte queda em todo o mundo, puxada por fatores que incluem a queda do petróleo e a desaceleração da economia chinesa

A queda dos preços do petróleo, que ronda seus menores níveis em doze anos, os custos crescentes com tecnologia, a desaceleração da China e a inconstância dos mercados financeiros globais estão afetando diretamente um sinônimo de opulência financeira: os bancos. Em todo o mundo, mas especialmente na Europa, as ações do setor têm acumulado perdas desde o início do ano, em um movimento que não dá mostras de que dará trégua tão cedo.

Na Europa, as ações de grandes bancos europeus estão passando por uma onda de vendas mais forte que a registrada durante a crise financeira internacional de 2008. Instituições financeiras europeias perderam quase um quarto de seu valor, mais de 240 bilhões de dólares, desde o início do ano. Isso pode jogar por terra oito anos de planos de cortes de custos, reequilíbrio de balanços e estratégias de aversão a risco.

Há também temores de que a indústria esteja com capitalização insuficiente para enfrentar inadimplência e que taxas de juros negativas em breve atingirão as margens do setor, forçando as instituições a cobrar pelos depósitos.

Retornos maiores aos acionistas também parecem muito distantes se os bancos tiverem tantos obstáculos a superar. “Não há sinais de compra no setor bancário. Para que ter ações?”, questionou Neil Dware, estrategista global na Allianz Global Investors.

Deutsche Bank, UniCredit e Credit Suisse viram suas ações recuar a um ritmo duas vezes mais intenso que no começo de 2008. ING e Nordea Bank, em quedas de 21% e 15% até 8 de fevereiro, respectivamente, são os únicos bancos entre os quinze maiores da Europa com desvalorizações menos intensas que as vistas no mesmo período oito anos atrás.

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Dinheiro barato – Desde 2011, os bancos da zona do euro estão aproveitando a vantagem de dinheiro barato emitido pelo Banco Central Europeu (BCE) por meio das operações de refinanciamento de longo prazo conhecidas como LTRO. A estratégia serviu para que os bancos reestruturassem as dívidas que alguns investidores dizem que deveria ter sido registrada como perda.

Dwane aponta a desconfiança do mercado em relação a créditos podres de muitos bancos ‘zumbis’ da zona do euro e estima que isso pode resultar em perdas de entre 1 trilhão a 1,5 trilhão de euros na indústria. Esse montante equivale a cinco anos de lucro do setor.

O índice STOXX Europe 600, que acompanha o setor bancário, acumula perdas de 24% desde o começo do ano. Em 2008, a queda nesse mesmo período havia sido de 17%.

O cenário negativo não se limita à Europa – onde as quedas chegam a 60%, como no caso da Grécia. Nos Estados Unidos, as ações financeiras estão em baixa de 19% neste ano. No Japão, o declínio é ainda mais forte, de 36%.

(Com Reuters)

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