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Dólar acelera a R$ 4,22 em meio a tensão sobre coronavírus; Bolsa cai mais de 2%

Aversão ao risco faz com que os principais mercados globais operem com fortes perdas nesta segunda

Por Agência O Globo - 27 jan 2020, 13h01

RIO — A rápida disseminação do coronavírus e a confirmação de novos casos da doença fora da Ásia impactam os mercados nesta segunda-feira. Este cenário faz com que o dólar comercial seja negociado a R$ 4,22, alta de 0,87%. Na Bolsa, o Ibovespa (índice de referência da B3), opera com recuo de 2,38%, aos 115.561 pontos. Esta é a maior queda da Bolsa, em percentual, desde outubro do ano passado.

De acordo com os dados mais recentes do governo chinês, o número de mortes causadas pelo coronavírus chegou a 81. O total de casos confirmados na China aumentou cerca de 30%, para 2.744. Alguns especialistas, entretanto, suspeitam que o número de pessoas infectadas seja maior.

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O temor é refletido nos principais mercados globais. No Japão, o índice Nikkei recuou 2,03%, maior queda percentual desde 26 de agosto do ano passado. Em Wall Street, o Dow Jones cai 1,34%, ao passo que o Nasdaq e S&P 500 operam com variação negativa de, respectivamente, 1,64% e 1,46%.

Na Europa, o índice Financial Times (Londres) opera com perdas de 2,38%, ao passo que o CAC 40 (Paris) cai 2,51%. As Bolsas chinesas estão fechadas até 03/02 por conta da prorrogação do feriado do Ano Novo Lunar.

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— A preocupação do mercado é em relação às consequências das medidas que o governo chinês adotou para conter a doença. Pequim proibiu algumas viagens, determinou o fechamento de áreas que são foco do vírus e cancelou festividades do Ano Novo Lunar. Tudo isso gera um temor nos investidores de que a economia global pode desacelerar, uma vez que a segunda maior economia do mundo está “parada” — avalia Pablo Spyer, diretor da Mirae Asset.

A possibilidade de uma demanda chinesa menos aquecida por conta do aumento nos casos de coronavírus impacta diretamente as commodities. O barril de petróleo tipo Brent é negociado com queda de 2,88%, valendo US$ 58,94, a menor cotação desde outubro do ano passado.

Isso faz com que as ações ordinárias (ON, com direito a voto) e preferenciais (PN, sem direito a voto) da Petrobras recuem, respectivamente, 3,89% e 3,86%.

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A maior queda, porém, é da Vale, que recua 4,22%. A Bolsa de Dalian (China), referência das negociações de minério de ferro, está fechada por conta do feriado de Ano Novo. Em Singapura, os contratos da commodity fecharam com queda de 6%. O setor aéreo também é penalizado com a aversão ao risco. As ações da Azul e da Gol caem, respectivamente, 2,99% e 3,81%.

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— O impacto do coronavírus para o Brasil pode vir de dois canais diferentes. O primeiro é o tom de aversão ao risco que a doença está criando, principalmente para os mercados emergentes. O segundo aspecto é que a China é o principal parceiro comercial do Brasil. A disseminação do coronavírus pode reduzir a atividade econômica do país asiático, o que resultaria em uma demanda menor, causando efeito colateral para os mercados brasileiros — pondera Brendan McKenna, estrategista do Wells Fargo.

Queda na Selic

Internamente, os economistas consultados pelo Banco Central (BC) para a elaboração do Boletim Focus projetam que a taxa básica de juros (Selic) passará por um novo corte, renovando seu piso histórico. A projeção do Focus é que os juros encerrem 2020 a 4,25% ao ano.

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O Comitê de Política Monetária (Copom) do BC se reúne nos próximos dias 4 e 5 de fevereiro para decidir os novos padrões da Selic.

Em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), os economistas mantiveram suas perspectivas de que a economia do Brasil vai avançar 2,31% em 2020.

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