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Brasil só voltará a ter superávit primário em 2020, diz FMI

Em relatório divulgado nesta quarta-feira, Fundo destaca que impasse político pode desencorajar medidas de melhora das contas públicas este ano

O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê a piora de indicadores fiscais do Brasil e só vê o país voltando a ter superávit primário (recursos para o pagamento de juros da dívida pública, um termômetro de solidez das contas do governo) em 2020, de acordo com o relatório Monitor Fiscal, divulgado nesta quarta-feira, na reunião de primavera da instituição em Washington. O documento destaca que o impasse político pode complicar a implementação ou desencorajar medidas para melhorar as contas públicas.

O FMI projeta déficit primário de 1,7% do Produto Interno Bruto (PIB) este ano e de 1,4% em 2017. O país só deve voltar a ter superávit em 2020, estimado pela entidade em 0,9% do PIB.

Comparado a outros exportadores de commodities (matérias-primas, como soja e minério de ferro), o Brasil registrou deterioração mais aguda do déficit nominal, que saltou para 10,3% do PIB em 2015, destaca o FMI. A piora do déficit foi puxada por fraca arrecadação, causada pela recessão da economia e o aumento dos juros, tudo isso em um contexto de “profunda turbulência política e econômica”, além dos pagamentos das pedaladas fiscais em dezembro.

O FMI projeta redução do déficit nominal brasileiro, mas o indicador vai seguir acima da média mundial. Em 2016, este índice deve ficar em 8,7% do PIB e no ano que vem em 8,5%. A média da América Latina é de déficit de 6,5% e 5,9% este ano e no próximo. Na economia mundial, a média é de 3,6% e 3,1% e na zona do euro, de 1,9% e 1,5%, respectivamente em 2016 e 2017.

Como reflexo da piora das contas públicas, a dívida bruta brasileira, um dos principais indicadores de solvência de países, saltou para 73,7% do PIB, ressalta o relatório. A projeção do FMI, que considera no cálculo os títulos do Tesouro detidos pelo Banco Central (que não são considerados na contabilidade do governo brasileiro), é que o indicador suba para 76,3% em 2016 e 80,5% do PIB em 2017. Em 2021, a relação dívida/PIB vai superar os 90%, chegando a 91,7%. A média da economia mundial este ano deve ser de 47,5%.

Para reverter a tendência de deterioração dos números, o FMI recomenda uma estratégia de consolidação fiscal que resolva questões estruturais, como a rigidez de gastos públicos. “Apesar de os esforços de consolidação fiscal gerarem ventos contrários no curto prazo, eles são necessários para estimular uma reviravolta na confiança e o retorno do país ao crescimento.”

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(Com Estadão Conteúdo)

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