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BC corta Selic pela 4ª vez e taxa cai a 4,5% ao ano, a menor da história

Redução dos juros foi de 0,5 ponto percentual; próxima reunião do Copom está marcada para fevereiro de 2020

Por Larissa Quintino - 11 dez 2019, 18h21

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu pela quarta vez consecutiva a Selic, a taxa básica de juros da economia brasileira. O corte anunciado nesta quarta-feira, 11, foi de 0,5 ponto porcentual. Com isso, a Selic alcança o patamar de 4,5% ao ano, a nova mínima histórica para a taxa.

A Selic é usada como referência para todas as outras taxas de juros do mercado brasileiro e serve como instrumento de política monetária para controlar a inflação e estimular o consumo. Com a Selic alta, os juros tendem a ficar mais caros e desestimular o consumo. Já com a taxa baixa, o crédito pode ficar mais barato, estimulando compras e, assim, aquecendo a economia. A sequência de cortes começou em julho, após a taxa ficar estável em 6,5% ao ano durante 18 meses. 

A queda na taxa já era esperada pelo mercado financeiro, graças a indicação do Copom na ata da reunião de outubro. Segundo o mais recente Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central semanalmente, a aposta de analistas financeiros é que a taxa feche este ano em 4,5% ao ano.

A incógnita agora é para o direcionamento da política monetária em 2020, já que a inflação voltou a acelerar devido ao aumento na alimentação (com a disparada da carne bovina) e combustíveis. O Copom se reúne cada 45 dias e a próxima reunião está agendada para os dias 4 e 5 de fevereiro.

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O Copom avalia que o processo de reformas e ajustes necessários na economia brasileira tem avançado, mas enfatiza que perseverar nesse processo é essencial para permitir a consolidação da queda da taxa de juros estrutural e para a recuperação sustentável da economia. O Comitê ressalta ainda que a percepção de continuidade da agenda de reformas afeta as expectativas e projeções macroeconômicas correntes”, diz o comunicado da decisão.

Entre os pontos analisados pelo Banco Central para sua decisão, está a inflação, calculada oficialmente pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). No acumulado dos últimos doze meses, a taxa está em 3,27% até novembro. A previsão do Boletim Focus é que a taxa feche o ano em 3,84%. Apesar da aceleração, os porcentuais estão abaixo do centro da meta da inflação do governo, definida em 4,25% pelo Conselho Monetário Nacional. No entanto, está dentro da margem de erro, que é de 1,5 ponto porcentual para baixo ou para cima (2,75% a 5,75%).

Outro fator analisado pelo Copom: o Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre de 2019 apresentou expansão de 0,6% em relação aos três meses imediatamente anteriores. O dado, entretanto, pode ser maior já que o IBGE deve rever o resultado para incluir o resultado corrigido das exportações, que apontavam déficit, mas, segundo o Ministério da Economia, foi de superávit. Caso a estimativa dos analistas se confirmem, o PIB fechará o ano, ao menos, no mesmo patamar de 2018. A aprovação da reforma da Previdência e a retomada do consumo, devido ao aumento da oferta de crédito e a liberação do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, ajudaram a estimular a economia.

Além disso, o Copom observa o cenário externo, que continua instável, mas com viés otimista. Estados Unidos e China continuam negociando um acordo comercial. Uma solução para a guerra comercial entre os países é importante, já que o confronto influencia no processo de desaceleração da economia global.

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