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Argentina prepara volta ao mercado global de dívida após 15 anos

Governo trabalha em emissão de 12,5 bilhões de dólares em bônus, a primeira operação do gênero desde o calote de mais de 80 bilhões de dólares, ocorrido em 2001

Após uma década e meia, a Argentina se prepara para voltar ao mercado global de dívida. O país planeja oferecer 12,5 bilhões de dólares em bônus na próxima semana nos Estados Unidos e no Reino Unido, naquela que deve ser a primeira oferta global desde que o país decretou um calote da dívida, em 2001.

Autoridades argentinas, lideradas pelo secretário das Finanças, Luis Caputo, devem se reunir com investidores em Nova York, Los Angeles e Washington na próxima semana, segundo uma carta a que o jornal The Wall Street Journal teve acesso nesta quinta-feira.

A mensagem foi enviada a potenciais investidores pelo Deutsche Bank, um dos quatro principais responsáveis pela operação da oferta de bônus. Os demais são HSBC, J.P. Morgan Chase & Co. e Santander. O governo planeja usar o dinheiro resultante para pagar os detentores de dívida da argentina que está em default.

O país deixou de pagar mais de 80 bilhões de dólares em 2001, o maior calote soberano que já havia sido registrado até aquela data. O governo do presidente Mauricio Macri busca agora fechar acordos com vários grupos de detentores de bônus. Em fevereiro, a administração chegou a um acordo com um grupo de hedge funds (fundos especializados em aplicações de maior risco) liderado pela Elliott Management, o que abriu caminho para o retorno do país aos mercados internacionais de dívida.

Pelo acordo, a Argentina disse que pagará aos credores 4,65 bilhões de dólares até 14 de abril. Algumas autoridades argentinas, porém, indicaram nesta semana que podem não conseguir cumprir o prazo. Analistas dizem que isso poderia complicar ou mesmo atrasar os planos do governo de emitir nova dívida. Uma audiência sobre o assunto está marcada para 13 de abril em Nova York.

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(Com Estadão Conteúdo)

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