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Argentina congela preços para conter inflação e estimular consumo

Governo Macri lança pacote de medidas para tentar reativar a economia; especialistas veem plano apenas como um paliativo no curto prazo

O governo da Argentina anunciou nesta quarta-feira, 17, uma série de medidas com o objetivo de controlar a inflação elevada e reativar o consumo no país. O presidente, Mauricio Macri, que tenta a reeleição em outubro deste ano, decidiu congelar os preços de cerca de sessenta produtos básicos e conter os aumentos das tarifas dos serviços públicos, em uma tentativa de frear a inflação, que acumula aumento de 55% nos últimos doze meses. 

As medidas fazem parte de plano acordado com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Elas complementam a decisão da terça-feira 16, do Banco Central da Argentina (BCRA), de congelar a banda cambial para o peso até o fim deste ano. O objetivo é fazer um aperto na política monetária para ajudar a conter os preços no varejo.

Em meio à crise cambial do ano passado, Macri buscou ajuda do FMI, com o qual acertou uma linha de crédito de 56 bilhões de dólares (aproximadamente 200 bilhões de reais). Vários candidatos da oposição à Presidência já disseram que vão rever o acordo, se eleitos.

A Argentina sofre com inflação alta há décadas, mas a depreciação do peso, a moeda local, em 2018 alimentou os ajustes de preços — incluindo tarifas de serviços públicos que são reguladas pelo governo—, que ainda permanecem.

“As medidas principais que estamos lançando são fruto de um acordo com empresas líderes para manter por ao menos seis meses os preços de sessenta produtos essenciais e o congelamento de tarifas de serviços públicos para este ano”, informou o governo, em comunicado.

Entre os produtos que manterão seus preços sem aumentos durante seis meses, estão azeite, arroz, farinhas, leite, iogurte e açúcar, além de alguns cortes de carne bovina. Já entre os serviços públicos que não sofrerão aumento, estão eletricidade, gás, transporte público e telefonia móvel.

O governo argentino anunciou que não haverá aumento nesses serviços e que assumirá a diferença com algumas das empresas que os fornecem. Além disso, famílias que já recebem ajuda social terão acesso facilitado a crédito. 

Entre outras medidas anunciadas, estão benefícios fiscais para as pequenas e médias empresas e descontos em diversas áreas. Aposentados e pensionistas terão descontos de 10% a 25% na hora de comprar alimentos, roupa, eletrodomésticos e material para construção e de 20% a 70% na aquisição de medicamentos em farmácias.

As medidas foram anunciadas semanas depois de ter sido registrado um aumento na pobreza no país, que chegou a 32%, como resultado da alta inflação -que só em março foi de 4,7%- e da queda da atividade econômica. 

Segundo economistas ouvidos pelo jornal argentino El Cronista, as medidas anticrise são apenas um paliativo de curto prazo, com o objetivo de posicionar melhor o presidente para as eleições de outubro. “O primeiro impacto que essas medidas podem ter na economia e na atividade será relativamente baixo. É uma maneira de continuar empurrando os problemas estruturais adiante”, afirmou o economista Diego Martínez Burzaco ao jornal.

Após as medidas anunciadas, o peso argentino avançava nesta quarta-feira, o que dava alívio ao governo. No entanto, o mercado de ações e os títulos caíam, e o risco-país subia.

Até meses atrás, analistas davam como certa a reeleição de Macri nas eleições de outubro, mas sua imagem sofreu um abalo nas pesquisas, que agora são lideradas pela ex-presidente de centro-esquerda Cristina Kirchner.

“Nós vamos vencer essa batalha”, disse Macri, nesta quarta-feira, em vídeo transmitido pelo governo, no qual ele é mostrado conversando com um casal de cidadãos na sala de sua casa.

(Com Estadão Conteúdo e Reuters)

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