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Trabalhador da Cedae passa mal e desmaia após inalar pó de carvão lançado no Guandu

Vitima cumpre pena no sistema penal e presta serviço à empresa por meio de convênio com a Fundação Santa Cabrini

Por Agência O Globo - 27 jan 2020, 13h01

RIO – Um vídeo e fotos de presidiários do Rio trabalhando em condições precárias no lançamento de carvão ativado no Guandu está chamando a atenção da sociedade. O vídeo mostra um preso caído ao solo desmaiado. Segundo denúncia do Sindicato dos Trabalhadores em Saneamento e Meio Ambiente do Rio de Janeiro (Sintsama/RJ), o trabalhador sofreu uma parada respiratório e desmaiou após sucessivos lançamentos de carvão ativado no sistema Guandu. O trabalho está sendo feito por funcionários da Cedae e apenados que trabalham na empresa por meio de convênio firmado com a Fundação Santa Cabrini. 

“Trabalhadores da Cedae e conveniados da Santa Cabrini estão trabalhando em condições desumanas na ETA (Estação de Tratamento de Água) Guandu, no despejo manual do tal carvão ativado na máquina que faz a mistura do carvão na água. Um trabalhador conveniado acaba de desmaiar aqui no setor, por problemas respiratórios, devido ao pó de carvão que sobe no momento do despejo manual e os trabalhadores involuntariamente inalam. Carregam sacos de 25kg e despejam o produto sem proteção adequada. O Guandu virou uma Fortaleza, é difícil.  Infelizmente, acho que a ETA se perdeu com a demissão em massa de 54 técnicos sob a alegação de terem altos salários – denunciou o presidente do Sintsama, Humberto Lemos.  

A pneumologista Margareth Dalcolmo, pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), comentou que, embora não tenha conhecimento sobre a composição do carvão ativado, qualquer substância química inalada, do ponto de vista respiratório, pode causar problemas à saúde. 

– Qualquer substância química inalada com exposição ambiental pode causar danos ao sistema respiratório. Isso também depende do conteúdo do produto e das condições de saúde da pessoa. Se ela tiver enfisema pulmonar, asma, entre outras enfermidades relativas ao pulmão, essa exposição pode ativar uma hiperreatividade ou hiper sensibilidade brônquia. O terceiro fator importante é o tempo de exposição – comentou a Margareth. 

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Por meio de nota a Cedae informou que o trabalhador que passou mal não estava se sentindo bem antes mesmo de começar a trabalhar e não relatou isso a seus supervisores. 

“Os trabalhadores envolvidos na aplicação do carvão ativado estão utilizando o equipamento de proteção individual – recomendado pela empresa que presta o serviço. 
No caso mencionado, o trabalhador que aparece na imagem não estava se sentindo bem mesmo antes do expediente e não relatou o fato. Após realizar atividade que exige esforço, sentiu-se mal e recebeu todo o suporte da companhia. Cabe informar que a utilização do carvão ativado não tem relação com o fato ocorrido, inclusive, o produto é utilizado em outras estações de tratamento de água do Brasil, e está presente também em filtros residenciais”, informou a empresa.  

A Cedae informou também que devido à emergência a compra de carvão foi feita de forma com que tenha sido necessário o trabalho manual. E que isso será a partir desta semana. 

“Devido à quantidade de carvão ativado necessária para atender à vazão da ETA Guandu, não havia no mercado brasileiro empresa que pudesse fornecer a pronta entrega todo o volume em ‘bags’ de 500 kg cada. Para atuar com a agilidade que o momento exige, a Cedae recebeu uma parte do produto em sacos menores e, com isso, parte da carga precisou ser descarregada por empilhadeira com suporte manual. A partir desta semana serão recebidas apenas as ‘bags’, que não exigem trabalho manual, sendo a operação 100% automatizada. Vale informar que os funcionários receberam equipamentos de proteção individual, conforme orientação da empresa que está no local oferecendo treinamento para operar o sistema”, disse a Cedae. 

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