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Menino atingido por bala perdida no Morro do São João sonha ser jogador de futebol

Mãe diz ter fé na recuperação do garoto, seu filho caçula

Por Agência O Globo - 28 jan 2020, 13h01

RIO — Apaixonado pelo Vasco da Gama, o menino de 5 anos atingido por uma bala perdida na cabeça, na noite desta segunda-feira, no Morro do São João, no Engenho Novo, na Zona Norte do Rio, tem um sonho: ser jogador de futebol. Mãe dele, a auxiliar de creche Sara Teixeira Gonçalves da Silva, de 37 anos, lembrou do amor do filho pelo esporte. E afirmou que acredita na recuperação do garoto:

— Meu filho é o meu bem. Ele vai sair, confio em Deus  — disse Sara, chorando muito.

Segundo ela, que está no Hospital estadual Getúlio Vargas, na Penha — para onde o menino foi transferido, após uma espera de horas —, além do futebol, o filho tem entre suas paixões também o judô. Ele pratica artes marciais três vezes por semana.

O garoto é o caçula de Sara e Paulo Roberto Monteiro, de 36 anos — que ficou ferido na mão esquerda ao tentar proteger o filho da bala. O avô, o aposentado Valdir Gonçalves da Silva, de 74 anos, diz que o neto é “espoleta”:

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— Ele é uma criança maravilhosa. Espoleta como outra qualquer e não merece isso. Estamos pedindo a Deus para que ele saia o mais rápido possível.

O aposentado contou que estava no Méier e, quando chegava em casa, que fica em um dos acessos ao Morro do São João, escutou os tiros e chegou a ver um carro em alta velocidade saindo da comunidade. No veículo estava o neto.

— Só depois fiquei sabendo que eram o meu filho e o meu neto que estavam naquele automóvel. É uma tragédia que a gente não espera — disse Valdir.

Local onde criança foi atingida é ponto de encontro

O Campo da Igrejinha, onde a criança foi baleada, é um ponto de encontro do Morro do São João. Todas as segundas-feiras é comum que amigos se reúnam no espaço para jogar futebol e depois fazerem um churrasco. Nesta segunda, no momento do tiroteio, outras crianças estavam no campo com seus pais.

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— Normalmente, todos os pais levam as crianças e poderia ter sido uma tragédia. Outras crianças poderiam ter dito baleadas — lembrou o tio.

Por volta das 12h25, uma equipe da 25ªDP (Engenho Novo) esteve no Getúlio Vargas para colher depoimentos de testemunhas. Em nota, a assessoria de imprensa da Polícia Militar informou que o confronto no Morro do São João começou após equipes da UPP da comunidade serem atacadas a tiros e os policiais revidarem. Leia a íntegra da nota da corporação:

“A Assessoria de Imprensa da Secretaria de Estado de Polícia Militar informa que, na noite de segunda-feira (27/01), equipes da UPP São João em deslocamento pela comunidade Morro São João, na Zona Norte da cidade do Rio, foram atacadas a tiros por criminosos. Os policiais reagiram e ocorreu confronto no local. Posteriormente, a equipe policial foi informada que duas pessoas feridas, sendo uma criança, foram socorridas para hospital da região. O fato foi constatado na unidade de saúde. Ocorrência encaminhada para a 25ª DP”.

Já a assessoria de imprensa da Polícia Civil informou que, “de acordo com a 25ª DP (Engenho Novo), foi instaurado um inquérito para apurar o caso. Testemunhas serão ouvidas. Outras diligências estão sendo realizadas para esclarecer o fato”.

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