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Kassab articula para voltar ao comando das Cidades… no governo Temer

Se impeachment passar no Senado, ex-prefeito de São Paulo já sabe qual pasta vai cobrar do vice pelo apoio do PSD na votação na Câmara

Antes mesmo de completar um mês fora do Ministério das Cidades, Gilberto Kassab se movimenta para voltar à pasta no eventual governo Michel Temer. Ele entregou o cargo que ocupava no governo Dilma Rousseff em 15 de abril, dois dias antes de o PSD votar em peso pelo prosseguimento do processo de impeachment da presidente na Câmara dos Deputados. Kassab já afirmou em conversas privadas que “não teria nenhum desconforto” em voltar às Cidades.

Integrantes da bancada do partido na Câmara dizem que seria difícil apoiar outro nome como ministro da cota do PSD. Eles esperam por uma sondagem direta de Temer. Já Kassab não vê sentido em que o partido assuma qualquer outra pasta que não as Cidades. Entende que teria como justificativa sua experiência como ex-prefeito de São Paulo e o fato de estar a par dos projetos das Cidades, já que deixou o cargo há duas semanas. Ele poderia aumentar a ascendência sobre programas populares como Minha Casa, Minha Vida – antes, o PT mantinha um entreposto no ministério, a secretária nacional de Habitação Inês Magalhães, agora ministra interina do governo Dilma.

O PSD entregou 29 votos a favor do impeachment e oito contra. Na Câmara, porém, os apoiadores de primeira hora do impeachment reclamam que Temer causaria desgastes se nomeasse Kassab, uma vez que ele desembarcou do governo Dilma tardiamente e só liberou a bancada para encaminhar voto pró-impeachment porque percebeu que não conseguiria adesões à petista. A ciumeira seria a mesma caso Temer venha a nomear indicados por Ciro Nogueira, do PP, e Valdemar Costa Neto, do PR.

O comando do PSD já indicou que a bancada não se contentaria em ficar de fora do governo e apenas obter apoio do governo Temer à candidatura do deputado Rogério Rosso (PSD-DF) para sucessão de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) na presidência da Câmara. Kassab esteve com o vice na companhia de Henrique Meirelles, o nome mais cotado para comandar o Ministério da Fazenda.

Meirelles é filiado ao PSD, mas sua indicação seria uma escolha pessoal e técnica de Temer, nas palavras dos aliados do vice. Kassab nega ter recebido convite oficial na ocasião. Um ex-ministro aliadíssimo de Temer analisa, porém, que Kassab tem capital político como “dono do PSD” e que o ingresso de Meirelles poderia ser atrelado ao retorno dele. “Com o Meirelles o PSD viraria credor do governo. É aquela história: compre um, leve dois”, disse.

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