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‘Fim de feira e fim de governo’, diz Eduardo Cunha depois de vitória pró-impeachment

Um dos principais patrocinadores do impeachment da presidente Dilma Rousseff, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), foi certeiro no placar pela aprovação do impeachment da petista. Enquanto o governo alardeava ter virado o jogo, o peemedebista, reunido com seus aliados, garantia que a ação por crime de responsabilidade passaria com uma folga de pelo menos vinte votos – o processo foi aprovado neste domingo com o aval de 367 deputados, 23 a mais que o necessário. Após o resultado, Cunha deu o diagnóstico da situação de Dilma: “Nós temos um governo em fim de governo. Essa semana foi a xepa com Diário Oficial. É fim de feira e fim de governo”, afirmou.

Em coletiva à imprensa, Cunha disse que Dilma perdeu as condições de governabilidade e abriu mão de “todos os escrúpulos no feirão feito para tentar comprar votos” e barrar o impeachment”. “Agora o Brasil precisa sair do fundo do poço. É possível que a gente resolva politicamente essa situação o mais rápido possível”, afirmou.

Eduardo Cunha planeja entregar, em mãos, o veredicto da Câmara contra Dilma para o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), já nesta segunda. Ele pressiona o seu correligionário a dar prosseguimento à ação o mais rápido possível. “Quanto mais tempo se levar para decidir no Senado, mais a situação vai piorar. O governo sequer tem ministérios – os ministros foram demitidos para votar e outros saíram porque não queriam mais fazer parte da sua base política. O Brasil vai parar a partir de amanhã. É muito importante que esse processo tenha um desfecho com maior celeridade”, disse.

Questionado se assumiria um cargo em uma eventual presidência de Michel Temer, Cunha promete continuar no comando da Câmara, mas afirma que vai participar na discussão de uma agenda para o país sair da crise – independentemente do governo.

O peemedebista ainda atacou a gestão de Dilma e afirmou que o governo não tem “uma proposta”. “O governo fala muito, mas nunca propôs reforma. Nada do que esse governo quis deixou de ser votado. Se não foi aprovado, é porque o governo é refém da suas disputas internas e não consegue sequer construir uma proposta”, disse.

Sem constrangimento – Réu no Supremo Tribunal Federal (STF) por corrupção e lavagem de dinheiro, Eduardo Cunha teve a legitimidade contestada para conduzir o processo contra Dilma Rousseff. Parlamentares chegaram a estender uma faixa com dizeres “Fora, Cunha” durante a votação do impeachment. “Estou cumprindo o meu papel. Acharam que iam criar algum constrangimento que impedisse que a votação continuasse ou que eu fosse comprar a briga que eles queriam que eu comprasse. Obviamente, eu não ia comprar a briga, o meu papel não tem personalidade”, afirmou.

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