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Família de menino atingido por bala perdida teve que recorrer à Justiça por vaga em UTI

Tio da criança citou 'luta' para conseguir tirá-la do Hospital municipal Salgado Filho e tranferi-la para o Hospital estadual Getúlio Vargas

Por Agência O Globo - 28 jan 2020, 13h01

RIO — A família do menino de apenas 5 anos atingido por uma bala perdida na cabeça quando jogava futebol com o pai, no Morro do São João, no Engenho Novo, na Zona Norte do Rio, viveu dois dramas entre noite desta segunda-feira e a manhã desta terça: acompanhou a luta da criança pela vida e passou pela angústia de conseguir uma vaga numa UTI neuropediátrica. Os parentes do garoto tiveram que entrar na Justiça para que ele fosse transferido no Hospital municipal Salgado Filho, no Méier, para o Hospital estadual Getúlio Vargas, na Penha.

Após o plantão judiciário determinar a transferência, foram horas esperando o oficial de Justiça percorrer unidades de saúde das redes pública e particular. Às 9h58 desta terça-feira, a Secretaria municipal de Saúde confirmou, por meio de nota, a transferência. De acordo com a pasta, a vaga foi conseguida pela equipe de regulação:

“O menino (…) foi operado pela equipe do Hospital Municipal Salgado Filho e está em estado grave. A equipe de Regulação da Secretaria Municipal de Saúde já conseguiu vaga em UTI pediátrica e (…) será transferido para o Hospital Estadual Getúlio Vargas”. 

Às 10h30, uma ambulância deixou o Salgado Filho com o menino, a caminho do Getúlio Vargas.

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Após a transferência, a auxiliar de creche Tatiane Teixeira, de 36 anos, tia do garoto, se emocionou e chorou muito.

— Estamos mais confortados. Lutamos muito pela transferência e então veio. Foi Deus que fez isso — lembrou.

Tio cita luta

Tio do menino, o  refrigerista João Paulo Monteiro Esperança, de 38 anos, classificou a situação como “uma luta”:

— Estamos lutando para salvar o meu sobrinho. O estado dele é grave, passou por cirurgia.

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A bala que atingiu a criança está alojada. De acordo com João Paulo, a cirurgia realizada durante a madrugada foi para que os médicos estancassem uma hemorragia na cabeça do menino e limpassem a área do ferimento:

— No entanto, não retiraram a bala.

Por volta das 12h25, uma equipe da 25ªDP (Engenho Novo) esteve no Getúlio Vargas para colher depoimentos de testemunhas. Em nota, a assessoria de imprensa da Polícia Militar informou que o confronto no Morro do São João começou após equipes da UPP da comunidade serem atacadas a tiros e os policiais revidarem. Leia a íntegra da nota da corporação:

“A Assessoria de Imprensa da Secretaria de Estado de Polícia Militar informa que, na noite de segunda-feira (27/01), equipes da UPP São João em deslocamento pela comunidade Morro São João, na Zona Norte da cidade do Rio, foram atacadas a tiros por criminosos. Os policiais reagiram e ocorreu confronto no local. Posteriormente, a equipe policial foi informada que duas pessoas feridas, sendo uma criança, foram socorridas para hospital da região. O fato foi constatado na unidade de saúde. Ocorrência encaminhada para a 25ª DP”.

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Já a assessoria de imprensa da Polícia Civil informou que, “de acordo com a 25ª DP (Engenho Novo), foi instaurado um inquérito para apurar o caso. Testemunhas serão ouvidas. Outras diligências estão sendo realizadas para esclarecer o fato”. 

Futebol às segundas

Moradores do Sampaio, o menino e o pai sempre iam ao Morro do São João às segundas para jogarem futebol. A família já havia morado na comunidade e se mudou há três anos.

— Eles saíram de casa antes das 19h e foram jogar bola. O meu irmão e o meu sobrinho estavam brincando na parte de fora do campo quando, de uma hora para outra, começou o tiroteio. O meu irmão, para proteger o Arthur, se jogou no chão. Mas a bala atravessou a mão esquerda do meu irmão e atingiu a cabeça do meu soninho — lembrou João Paulo.

Os familiares e amigos chegaram a levar ambos para o Hospital Vital. Depois de ter sido feito um curativo em sua mão, Paulo Roberto recebeu alta. Já Arthur foi encaminhado para o Salgado Filho.

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