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Ali é lugar dos traficantes, não é o lugar dela

Raí de Souza participou de um baile funk, onde a adolescente de 16 anos consumiu drogas e bebida alcoólica por seis horas

Desde que apareceu pela primeira vez envolvido no estupro coletivo de uma menina de 16 anos, no Morro da Barão, em Jacarepaguá, Zona Oeste do Rio de Janeiro, o jovem Raí de Souza parece não ter percebido a gravidade da situação. Dez dias atrás, ao chegar para depor, ainda na condição de testemunha, exibiu um sorriso largo, fez pose e acenou para as câmeras. Em suas declarações, mentiu sem parar. Até seu endereço informou errado. As investigações da Delegacia da Criança e Adolescente Vítima (Dcav), porém, vão aos poucos desmontado a farsa que Raí montou para tentar acobertar o crime. Na semana passada, já acuado pelas descobertas da polícia, desabafou.

“Ali é lugar dos traficantes, não é o lugar dela. Quem tava errada era ela”. A frase faz parte de um vídeo feito pelos investigadores para provar que, em momento algum, Raí foi coagido dentro da delegacia. Ali, o acusado repete o discurso comum – usado pelo tráfico justamente como medida de impôr o terror – de que as leis nos morros cariocas são realmente paralelas.

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Na edição de VEJA desta semana, uma reportagem especial revela passo a passo daquele fim de semana de maio (dias 21 e 22) em que a adolescente foi barbaramente atacada por criminosos. Num primeiro momento, ela passou cerca de seis horas em um baile funk bebendo uísque com energético e usando cheirinho da loló. Depois, por volta das 7h, a menina de 16 anos foi com Raí para uma casa, juntamente com outro casal. Por volta das 10h, todos saíram, menos a jovem, que continuava desacordada.

Neste momento, de acordo com as investigações, outro traficante – Moisés Camilo de Lucena, o Canário – teria levado a menor para uma outra casa, no Quartel General do tráfico na favela – que funciona como espécie de abatedouro. As informações da polícia são de que pelo menos nove homens teriam entrado na casa, todos eles armados, pois se preparavam para invadir uma outra favela. “O estupro está comprovado e a participação de alguns também. Queremos tentar identificar os demais e individualizar a conduta”, afirma a delegada da Dcav, Cristiana Honorato.

Além de Raí de Souza, o ex-paraquedista Rafael Belo, de 41 anos, também já está preso. Foi ele quem fez uma selfie com a adolescente nua e estirada na cama. Canário está com a prisão decretada pela Justiça e segue foragido, assim como um homem identificado apenas como Jefinho. O apelido do suspeito – que também participou das filmagens em que a adolescente é tocada e humilhada – porém, pode ter sido inventado pelos suspeitos para proteger um dos criminosos da favela. De acordo com os investigadores, o agressor atende pelo apelido de Perninha.

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