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O envelhecimento e a sexualidade masculina

O grande medo de muitos homens é que o envelhecimento traga consigo baixa libido e menor desempenho sexual

Através dos séculos o entendimento da masculinidade contempla a capacidade de ereção peniana e sua sustentação. Apetite e competência sexuais referem-se respectivamente à frequência na qual o sexo é desejado e o tempo despendido por ato.

Em algumas rodas, homens se gabam com fascinantes autorreferências, as quais talvez sejam reverenciadas em outros círculos, ou não. O fato é que todos (ou quase) orbitam nesse universo quase lúdico, mas de importância estrondosa no senso de existência da maior parte dos seres humanos do sexo masculino.

O medo de envelhecer no moço é a paúra da impotência, mas a agonia do envelhecimento em curso é o perceber da desconexão progressiva com toda a constelação representativa da masculinidade que vai além da debilidade erétil. Esse variável e lento declínio na desenvoltura sexual do homem guarda imensa distância do que ocorre no processo da menopausa na mulher e conserva estreita proximidade com a ação da testosterona e seus níveis de concentração sanguínea.  

O termo andropausa sugerindo a parada completa na produção dos hormônios masculinos à semelhança da menopausa nas mulheres é um equívoco, pois tal situação não ocorre sob as tutelas genética e fisiológica.

A ausência absoluta dos hormônios sexuais masculinos só existe com a exclusão funcional testicular, fora do contexto natural evolutivo, decorrentes de trauma, tumores, cirurgia, radiação, infecções ou mesmo agressão autoimune. Adicionalmente, déficits extremos desses hormônios podem ser gerados por lesões de mesmas origens na hipófise ou hipotálamo, regiões do cérebro que controlam a produção gonadal.

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Talvez a forma mais correta de compreensão do processo de envelhecimento sexual no homem seja entendê-lo como um decréscimo fisiológico da produção de testosterona e nominá-lo Deficiência Androgênica do Envelhecimento Masculino (DAEM) é condizente com a sequência natural daqueles que conquistam o tempo além da quinta década.

Insuficiência Androgênica Parcial do Homem Idoso ou o termo científico mais em voga, Hipogonadismo Masculino Tardio, também expressam o variável e extenso período no qual o declínio testosterônico ocorre.

O DAEM e suas consequências

Os sintomas resultantes do hipogonadismo expresso (falta absoluta ou relativa de testosterona) incluem diminuição da libido, dificuldade de ereção (ou de sua sustentação), cansaço extremo, desânimo e/ou depressão, sonolência ou insônia, incluindo ainda sinais como aumento da gordura corporal, diminuição da massa muscular e queda de pelos corporais.

Tal quadro deve sempre ser interrogado laboratorialmente para hipogonadismo, muito embora outras causas possam ser patrocinadoras ou coadjuvantes desta conjuntura.

Adicionalmente, alguns estudos apontam variáveis déficits de ereção em metade dos homens já no decorrer da quinta década, em sua maioria com níveis normais de hormônio sexuais.

Seguramente tabagismo, etilismo crônico, stress, drogas ilícitas, fármacos, doenças degenerativas e outras patologias podem desconfortar a reatividade orgânica à testosterona e mesmo interferir no eixo hipotálamo-hipófise-testículo, o que descola o hipoandrogenismo como causa majoritária de má desenvoltura sexual, mas não o desconecta.

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O decréscimo fisiológico dos níveis de hormônios sexuais

O homem adulto produz aproximadamente 7 miligramas (mg) de testosterona ao dia, o que deixa os níveis sanguíneos entre 300 e 1000 nanograma por decilitro (ng/dl), apresentando ainda variações durante as 24 horas, sendo sua produção menor no período noturno.

A partir dos 30 anos de idade, ou neste entorno temporal, o homem passa a apresentar queda anual de 1% (em média) na produção de testosterona, de modo que no início da oitava década a concentração deste hormônio é 35% menor que aquela de homens jovens. Ainda que saibamos que no transcorrer do envelhecimento aconteça uma diminuição natural em vários perfis de virilidade do homem, uma relação inequívoca com a queda fisiológica da testosterona é sempre discutível.

Um dos marcos na abordagem deste cenário foi um estudo publicado em 2007 pelo The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism que encontrou a prevalência de déficit testosterônico em 3,1% a 7,0% dos homens com idade entre 30 e 69 anos e 18,4% naqueles com mais de 70 anos. A prevalência de homens com deficiência androgênica e sintomatologia associada era de 5,6% entre as idades de 30 e 79 anos.

Duas décadas após a referida publicação, estima-se que 20% dos homens com mais de 50 anos apresenta queda dos níveis de testosterona os quais alcançam importância para gerar queixas clínicas, situação que justificaria reposição androgênica.

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Quando tratar?

A presença de sintomatologia associada a níveis de testosterona abaixo da referência ou em seus limites inferiores obriga investigação mais apurada com ensaios laboratoriais mais específicos, os quais contemplam a avaliação de substâncias carreadoras destes hormônios e biodisponibilidade dos mesmos.

Uma vez confirmada a deficiência ou eventualmente concentrações nos limites inferiores que pareçam suspeitas, a reposição de testosterona na tentativa da resolução clínica estará indicada e por aqui residem incertezas.

Existem vários protocolos gerados em serviços médicos por todo o mundo os quais visam guiar o médico em maior precisão terapêutica, porém, um cristalino consenso ainda está por vir.

O limite inferior de testosterona no qual surgem os sintomas é variável de um indivíduo para outro e, portanto, a decisão de fazer ou não a reposição pode estar muito mais na sensibilidade e experiência do médico assistente que na inteligência de softwares abastecidos de dados do paciente.

Se por um lado poderemos estar resolvendo as dificuldades na libido, disfunção erétil, fraqueza muscular, osteoporose, depressão, adinamia, entre outros tantos tópicos, é extremamente necessária a observação dos riscos e estes precisam repousar em plano cartesiano mais explícito, especialmente a relação desta conduta com as doenças prostáticas.

Não existe dedução incontestável quanto a maior risco de Câncer de Próstata ou Hiperplasia Benigna Prostática com a reposição de testosterona, assim como não há evidências que esta conduta converta o Câncer Subclínico desse órgão em tumor clinicamente detectável. No entanto, existem irrefutáveis provas que a testosterona pode estimular o crescimento e agravar os sintomas de homens portadores de câncer de próstata localmente avançado e com metástases.

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Conclusão

A conjugação de cuidados com a saúde, alguma sorte, pensar em sexo e especialmente praticá-lo, parece compor a receita de sucesso masculina. Contudo, “alguma sorte” é item extenso e passa por bons hábitos alimentares, exercícios frequentes, bom sono, pouco álcool, nenhum tabaco e pouco fogo amigo do código genético.

Encampar o modelo do parágrafo pregresso estende, mas não eterniza privilegiados desempenhos e são inevitáveis os primeiros desconfortos nas circunstâncias que envolvem o envelhecimento.

Após inúmeros romances e casamentos Charles Chaplin casou-se pela última vez em 1943, quando possuía 54 anos, e sua esposa, a bela Oona O’Neill, apenas 18. É dito que viveram um relacionamento intenso e feliz até a morte de Chaplin em 1977, aos 88 anos, quando o casal possuía oito filhos.

Ok, Chaplin foi único como artista e ao menos admirável como amante, haja vista a extensa lista de lindas e devotadas mulheres durante sua vida, anotemos que o astro não contava com o arsenal de recursos que os homens modernos possuem.

Esperançar similitude orgânica ao mito Hollywoodiano é permitido, mas não sem o seguimento de médicos especialistas, atitude que pode nos render vitalidade sustentada e por que não, até quem sabe performances elogiáveis por muito mais tempo.

Contudo, imagino Chaplin mais comedido em nosso tempo, ao menos quanto ao número de filhos, contenção de bom tom a todos neste mundo que à réplica do firmamento cinematográfico de Carlitos está se tornando mudo, ou melhor dizendo: digitado!

 

 

Quem faz Letra de Médico

Adilson Costa, dermatologista
Adriana Vilarinho, dermatologista
Ana Claudia Arantes, geriatra
Antonio Carlos do Nascimento, endocrinologista
Antônio Frasson, mastologista
Arthur Cukiert, neurologista
Ben-Hur Ferraz Neto, cirurgião
Bernardo Garicochea, oncologista
Claudia Cozer Kalil, endocrinologista
Claudio Lottenberg, oftalmologista
Daniel Magnoni, nutrólogo
David Uip, infectologista
Edson Borges, especialista em reprodução assistida

Eduardo Rauen, nutrólogo
Fernando Maluf, oncologista
Freddy Eliaschewitz, endocrinologista
Jardis Volpi, dermatologista
José Alexandre Crippa, psiquiatra
Ludhmila Hajjar, intensivista
Luiz Rohde, psiquiatra
Luiz Kowalski, oncologista
Marcus Vinicius Bolivar Malachias, cardiologista
Marianne Pinotti, ginecologista
Mauro Fisberg, pediatra
Roberto Kalil, cardiologista
Ronaldo Laranjeira, psiquiatra
Salmo Raskin, geneticista
Sergio Podgaec, ginecologista

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