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O impacto da educação no salário e na produtividade

No Brasil, o aumento da escolaridade registrado nas últimas décadas não tem sido acompanhado do aumento da produtividade. Onde está o problema?

Por - 26 set 2019, 17h17

Neste post, quinto da série sobre o Estudo “Para desatar os nós da educação? Uma nova agenda, analisamos o impacto da educação sobre salários e produtividade.

Na sociedade moderna, educação tem duas funções: promover o desenvolvimento dos indivíduos e formar pessoas produtivas, que constituem o estoque de capital humano de uma sociedade.

Associar o valor dos salários ao nível de escolaridade é uma das formas de avaliar como os empregadores valorizam o impacto da educação: quem tem mais escolaridade ganha mais. Portanto, maior escolaridade está associada, de alguma forma, a maior produtividade.

Esta tabela mostra a relação entre maior escolaridade e maiores salários. Vale a pena observar quatro importantes mensagens. Primeiro, concluir um nível de escolaridade está associado a um diferencial expressivo de salário. Segundo, ficar no meio do caminho, como no caso dos que não começam e não concluem o ensino fundamental, médio ou superior, traz penalidades – parece que o mercado de trabalho premia a persistência. Terceiro, o mercado de trabalho pune muito fortemente quem começa, mas não conclui o ensino médio – esse grupo ganha menos do que se tivesse parado de estudar ao final do ensino fundamental. Quarto, quem não conclui o ensino superior não é punido, mas ganha menos da metade de quem conclui. Se essas pessoas acumulam dívidas durante esses anos, seu retorno financeiro, no final, pode ser negativo.

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Os dados sugerem que há uma falta de informação dos indivíduos a respeito dos riscos de suas decisões. E comprova que nossa política de ensino médio é inadequada para a população.

Os dados analisados até aqui permitem observar que o mercado de trabalho premia a escolaridade dos indivíduos – supostamente, maior escolaridade está associada com maior produtividade, pois gera melhores salários. Se isso é verdade para os indivíduos, não seria também verdade para a sociedade, ou seja, uma sociedade mais escolaridade deveria ser mais produtiva?

Esta figura sugere que a relação entre escolaridade e produtividade é mais complexa: só o aumento de escolaridade não leva uma economia a obter maior produtividade. As razões são complexas. Este é um tema muito estudado na economia. Diversos economistas já ganharam o Prêmio Nobel estudando-o, mas ainda sabemos pouco sobre o mesmo.

Tudo indica que faz bem a uma sociedade – e não apenas à economia – ter uma população altamente escolarizada. Mas, possivelmente, outros fatores – como o conteúdo, a qualidade e os processos educacionais – tenham igual ou maior impacto do que a simples contagem de anos de estudo ou, menos ainda, a simples posse de um diploma.

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